O Flamengo entra na reta decisiva da Libertadores de 2026 carregando uma marca que começa a ganhar dimensão histórica. Depois de oito partidas, o atual campeão da América ainda não perdeu: são seis vitórias e dois empates antes do confronto das quartas de final contra o Independiente del Valle.
A invencibilidade, por si só, já chama atenção. Mas é quando se olha para a história da competição que a campanha ganha outro tamanho.
Segundo levantamento da própria Conmebol, esta é apenas a quinta vez que o Flamengo consegue atravessar os oito primeiros jogos de uma edição da Libertadores sem derrota. As outras aconteceram em 1981, 1991, 2021 e 2022.
O que aconteceu depois em cada uma dessas campanhas ajuda a explicar por que o dado merece atenção.
Em 1981, o Flamengo terminou campeão.
Em 1991, a sequência não resultou em final e o clube caiu nas quartas de final.
Em 2021, chegou à decisão, mas terminou com o vice-campeonato.
Em 2022, voltou a levantar a Libertadores — e fez ainda mais: conquistou o torneio inteiro sem perder.
O retrospecto, portanto, não garante absolutamente nada para 2026. Mas mostra que, em três das quatro ocasiões anteriores em que o Flamengo chegou invicto ao oitavo jogo, terminou a Libertadores disputando a final. E em duas delas ficou com a taça.
O feito de 2022 ainda é raríssimo
A campanha de 2022 permanece entre as mais impressionantes da história recente da Libertadores.
Naquela edição, o Flamengo disputou 13 partidas, venceu 12 e empatou apenas uma. Não sofreu nenhuma derrota até levantar a taça diante do Athletico-PR.
O aproveitamento foi de 94,87%.
Com isso, o Rubro-Negro entrou para um grupo extremamente restrito de campeões invictos da Libertadores. Peñarol, Santos, Independiente, Estudiantes, Boca Juniors e Corinthians também conseguiram conquistar o continente sem perder.
Mas existe uma diferença.
Somente um deles conseguiu fazer isso duas vezes.
O Estudiantes foi campeão invicto em 1969 e 1970. Na primeira campanha, venceu os quatro jogos que disputou; na segunda, acumulou três vitórias e um empate. O formato da Libertadores daquela época era bastante diferente do atual — o campeão vigente entrava muito mais tarde na competição —, mas o registro histórico permanece.
É aí que surge uma possibilidade especial para o Flamengo de 2026.
Caso atravesse novamente toda a Libertadores sem perder e conquiste o título, o clube se tornará apenas o segundo da história a ser campeão invicto da competição em duas oportunidades.
O primeiro e, até hoje, único é o Estudiantes.
O caminho ainda é longo
O cenário, porém, está longe de permitir qualquer contagem regressiva.
O próximo adversário é justamente um dos times mais perigosos da edição. O Independiente del Valle chega às quartas vivendo sua maior sequência de vitórias na Libertadores: são quatro consecutivas. Como mandante, já são cinco triunfos seguidos, também um recorde do clube no torneio.
Além disso, há um histórico que serve de alerta.
Flamengo e Del Valle se enfrentaram seis vezes em competições da Conmebol e, até agora, o visitante nunca conseguiu vencer esse confronto. Em território equatoriano, o Del Valle soma duas vitórias e um empate; quando o Flamengo foi mandante, venceu três vezes.
Portanto, a eventual entrada do Flamengo nesse “grupo de dois” ainda depende de uma longa sequência.
Primeiro será necessário sobreviver às quartas.
Depois, às semifinais.
E, caso chegue novamente à decisão, ainda haverá um último obstáculo para transformar a atual invencibilidade em um feito histórico.
Flamengo defende mais do que o título
Existe outro elemento que diferencia a campanha de 2026.
O Flamengo não entrou nesta Libertadores tentando recuperar uma taça perdida. Entrou como atual campeão, depois da conquista de 2025, e chegou às quartas ainda sem sofrer uma única derrota.
Na fase de grupos, terminou na liderança com 16 pontos em 18 possíveis. Depois, eliminou o Cruzeiro nas oitavas e manteve intacta a série invicta.
Isso coloca o time diante de duas missões simultâneas.
A primeira é defender o título e buscar mais uma Libertadores.
A segunda nasceu ao longo da própria campanha: tentar repetir a invencibilidade de 2022 e alcançar uma marca que atravessa mais de seis décadas de história do torneio.




