Não foi uma atuação ruim do Flamengo
É preciso começar reconhecendo uma coisa: o Flamengo entrou em campo no Mineirão e fez um jogo competitivo.
Não considero que tenha sido uma partida ruim do Rubro-Negro.
Foi um confronto franco, aberto e com oportunidades para os dois lados. Durante bons momentos, o Flamengo conseguiu dominar o Cruzeiro, controlar a partida e criar chances suficientes para construir um resultado diferente.
Também precisamos reconhecer o adversário.
O Cruzeiro é uma grande equipe, tem jogadores de qualidade e também fez uma excelente partida. Não existe demérito em reconhecer quando o outro lado joga bem.
O problema está em outra coisa.
O Flamengo teve novamente a oportunidade de dar um passo enorme no Campeonato Brasileiro e deixou escapar.
Pedro colocou o Flamengo no caminho certo
Pedro abriu o placar ainda no primeiro tempo.
O Flamengo jogava bem, encontrava espaços e conseguia chegar com perigo. Era exatamente o tipo de atuação necessária diante de um adversário forte, fora de casa e em um Mineirão cheio.
E oportunidades apareceram.
Esse é justamente um dos pontos que mais me incomodam neste Flamengo.
Quando o time está por cima, cria chances, domina o adversário e percebe que tem superioridade dentro da partida, parece muitas vezes acreditar que o jogo já está resolvido.
Não está.
No futebol, enquanto existir apenas um gol de diferença no placar, o jogo continua completamente aberto.
O Flamengo teve oportunidades de fazer o segundo e não matou a partida.
E pagou por isso.
Um gol muito parecido com o da Libertadores
No segundo tempo, Arroyo empatou.
E o lance imediatamente me fez lembrar do gol marcado pelo próprio jogador no primeiro confronto entre Cruzeiro e Flamengo pela Libertadores.
Mais uma vez ele recebe pelo lado, corta Samuel Lino para dentro e finaliza.
E, na minha avaliação, Rossi poderia ter feito mais.
O goleiro chega na bola, toca nela, mas não consegue evitar o gol.
É claro que Arroyo acerta uma ótima finalização. Isso precisa ser reconhecido. Mas quando um goleiro do nível de Rossi consegue chegar na bola daquela maneira, existe também a expectativa de que faça a defesa.
Foi o empate que mudou completamente o cenário da partida.
O Flamengo tem esse problema
E aqui está, para mim, a grande questão.
O Flamengo muitas vezes acha que o jogo está ganho.
Quando está vencendo, dominando e criando oportunidades, parece entrar em uma espécie de zona de conforto.
É aquela postura que nós costumamos chamar de “modo banana”.
Não é falta de qualidade.
Muito pelo contrário.
Talvez seja justamente porque esse elenco saiba o tamanho da qualidade que possui.
O Flamengo tem jogadores capazes de decidir uma partida a qualquer momento. Tem um elenco extremamente forte e, quando entra concentrado, competitivo e disposto a disputar cada bola, torna-se uma equipe muito difícil de ser derrotada.
Nós vimos isso contra o próprio Cruzeiro na Libertadores.
Naquele jogo decisivo, o Flamengo entrou sabendo exatamente o que estava em disputa. A equipe competiu, marcou, correu, pressionou e jogou com intensidade.
É esse Flamengo que eu quero ver.
Não existe jogo ganho
O problema aparece quando a equipe parece acreditar que pode controlar uma partida apenas pela superioridade técnica.
Não pode.
O Campeonato Brasileiro é competitivo demais para isso.
Quando você enfrenta um Cruzeiro organizado e com bons jogadores, não pode oferecer a possibilidade de o adversário continuar vivo até os minutos finais.
Era preciso matar o jogo quando as oportunidades apareceram.
Não matou.
O Cruzeiro continuou acreditando.
E aos 49 minutos do segundo tempo, Matheus Pereira marcou o gol da virada.
Cruzeiro 2 a 1.
Uma partida que o Flamengo teve em suas mãos terminou em derrota.
Mais uma oportunidade desperdiçada
E é isso que torna o resultado ainda mais frustrante.
Não eram apenas três pontos.
O Flamengo entrou em campo sabendo que uma vitória significaria dormir na liderança do Campeonato Brasileiro.
Mais uma vez, quando apareceu a oportunidade de depender exclusivamente do próprio resultado para alcançar o primeiro lugar, o Flamengo desperdiçou.
Essa é uma situação que incomoda.
Porque não estamos falando de um time que não possui condições técnicas para chegar à liderança.
Estamos falando justamente do contrário.
O Flamengo tem elenco, qualidade e futebol para disputar o título.
Mas campeonato também se ganha aproveitando oportunidades.
E o Flamengo deixou mais uma passar.
Agora o Palmeiras pode abrir vantagem
O Flamengo permanece com 45 pontos.
Neste domingo, o Palmeiras enfrenta o Vasco e pode aumentar ainda mais sua vantagem na liderança.
Uma vitória palmeirense levará a diferença para seis pontos.
Claro que ainda existe muito campeonato pela frente.
Nada está decidido.
Mas o Flamengo poderia estar colocando pressão sobre o Palmeiras.
Poderia ter dormido na liderança.
Em vez disso, agora precisa assistir ao jogo do concorrente e torcer por um tropeço.
Essa diferença é enorme.
O Flamengo precisa aprender a matar os jogos
Não faço uma análise desesperada por causa de uma derrota.
Perder para o Cruzeiro no Mineirão pode acontecer. Estamos falando de um adversário forte, que também jogou bem e mereceu respeito durante toda a partida.
Minha crítica é sobre como o Flamengo administra determinados momentos.
Quando você está melhor, precisa aproveitar.
Quando tem o adversário dominado, precisa transformar esse domínio em gols.
Não pode achar que a camisa, o talento ou a qualidade individual vão resolver a qualquer momento.
O Flamengo que entra em campo competitivo, concentrado e com vontade é muito difícil de ser batido.
Mas aquele Flamengo blasé, que parece acreditar que pode vencer qualquer adversário sem precisar colocar a mesma intensidade durante os 90 minutos, continua correndo riscos desnecessários.
E contra uma equipe como o Cruzeiro, esse risco virou derrota.
O Brasileirão não espera.
A oportunidade de dormir na liderança passou.
Agora o Flamengo precisa novamente correr atrás.
Rogério Sampaio — Coluna Fla Opina




