Em abril de 2013, o Flamengo apresentou um diagnóstico que assustou até quem já conhecia a delicada situação financeira do clube. Uma auditoria realizada pela Ernst & Young apontou um passivo de aproximadamente R$ 750,7 milhões, número muito superior ao que se imaginava até então.
Treze anos depois, o cenário é radicalmente diferente.
Nesta semana, o Flamengo foi colocado pela organização da Bola de Ouro entre os cinco candidatos ao prêmio de Clube Masculino do Ano de 2026, ao lado de Paris Saint-Germain, Bayern de Munique, Arsenal e Bodø/Glimt. O Rubro-Negro é o único representante fora da Europa na lista.
Mais do que uma indicação esportiva, a presença do Flamengo nessa lista ajuda a dimensionar uma transformação que começou muito antes das taças recentes.
De um clube sufocado a uma potência de receita
A crise de 2013 não era apenas contábil. O Flamengo convivia com problemas fiscais, fornecedores a receber, ações trabalhistas e dificuldades para obter crédito e realizar investimentos.
A reconstrução financeira passou a ser uma das prioridades das administrações seguintes. O processo atravessou diferentes presidentes e modelos de gestão, mas acabou alterando o tamanho econômico do clube.
Em 2025, o Flamengo fechou o exercício com R$ 2,089 bilhões de receita operacional bruta, ultrapassando pela primeira vez a marca dos R$ 2 bilhões. O superávit chegou a aproximadamente R$ 336 milhões.
E a capacidade de investimento ficou ainda mais evidente em 2026.
No relatório financeiro referente ao primeiro semestre deste ano, o clube informou uma receita total de R$ 839 milhões, sendo R$ 732,4 milhões em receitas recorrentes. No mesmo período, foram investidos R$ 495,2 milhões em direitos federativos de jogadores, o maior volume da história do Flamengo para um primeiro semestre.
Lucas Paquetá, sozinho, representou um investimento contábil de aproximadamente R$ 315,7 milhões, incluindo custos da operação.
É uma mudança de realidade difícil de ignorar: o clube que há pouco mais de uma década discutia como sobreviver ao próprio endividamento hoje tem capacidade de movimentar centenas de milhões para formar um elenco que disputa os principais títulos do continente.
A dívida não desapareceu — mas mudou de dimensão
É importante fazer uma distinção.
Os R$ 750,7 milhões apontados em 2013 e o atual Endividamento Operacional Líquido não são indicadores contábeis exatamente iguais. Também pertencem a períodos diferentes e não podem ser comparados diretamente como se fossem o mesmo número corrigido no tempo.
Ainda assim, os dados ajudam a mostrar a mudança estrutural.
Em 30 de junho de 2026, o Flamengo registrava R$ 280,2 milhões de Endividamento Operacional Líquido, depois de ter alcançado R$ 488,1 milhões em março em razão, principalmente, dos grandes investimentos realizados na primeira janela de transferências. O próprio clube informou que não recorreu a novo endividamento financeiro para financiar esse movimento.
Ou seja: o Flamengo continua tendo compromissos a pagar — como qualquer organização desse porte —, mas hoje essas obrigações convivem com uma capacidade de geração de receita incomparavelmente maior.
E agora o Flamengo está entre cinco
É justamente aí que a indicação da Bola de Ouro ganha uma dimensão diferente.
A lista oficial mostra:
PSG: cinco títulos destacados pela premiação. Flamengo: três. Bayern de Munique: três. Arsenal: um. Bodø/Glimt: um.
O Flamengo aparece com Libertadores, Campeonato Brasileiro e Campeonato Carioca. Apenas o PSG, entre os cinco candidatos, apresenta mais conquistas listadas pela própria organização da Bola de Ouro.
E há outro símbolo importante: Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Liverpool, Inter de Milão e outros gigantes sequer estão entre os cinco finalistas desta edição.
O Flamengo está.
A premiação considera o período entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, e o vencedor será anunciado em 26 de outubro, em Londres.
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