O Flamengo vive uma nova tensão nos bastidores do mercado da bola. Empresários de jogadores demonstraram insatisfação após o clube reprogramar o pagamento de comissões que estavam previstas para o fim de 2026, transferindo parte dos repasses para 2027.

Diante da repercussão, o Rubro-Negro divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira, 23 de julho. No comunicado, o clube contestou informações sobre os percentuais pagos aos agentes em negociações envolvendo a contratação de atletas.

Segundo o Flamengo, o clube nunca praticou comissões de 20% ou superiores sobre o valor das transferências. A diretoria argumenta que algumas análises consideram apenas o preço dos direitos econômicos do jogador, sem incluir outros componentes da operação.

Além do valor pago pela transferência, uma contratação pode envolver luvas, salários, direitos de imagem e outros compromissos financeiros. Por isso, de acordo com o clube, calcular a comissão apenas sobre o chamado “passe” pode gerar uma interpretação equivocada sobre o percentual efetivamente pago.

Empresários reclamam de pagamentos adiados

A insatisfação dos agentes, entretanto, está relacionada principalmente à decisão do Flamengo de alterar o calendário dos pagamentos.

O clube teria adiado para 2027 comissões que seriam quitadas até o final de 2026. Tradicionalmente, o departamento responsável pelas negociações trabalhava com valores próximos de 7% das transferências destinados aos intermediários.

Diante da reprogramação, a Associação Brasileira de Agentes de Futebol, a Abaf, apresentou uma reclamação à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol.

O documento teria recebido a assinatura de 41 empresários, que acusam o Flamengo de descumprir compromissos financeiros previamente estabelecidos.

Agentes querem reconhecimento como credores

Uma das principais reivindicações dos empresários é que os agentes sejam reconhecidos oficialmente como credores dentro das regras de controle financeiro do futebol brasileiro.

Caso esse entendimento seja adotado pelo órgão regulador, eventuais atrasos no pagamento de comissões poderiam ser considerados inadimplência para efeitos do fair play financeiro.

Dependendo da regulamentação e da gravidade de cada situação, os clubes poderiam ficar sujeitos a sanções esportivas e administrativas, como impedimento para registrar novos jogadores ou até perda de pontos.

Neste momento, porém, não há informação de punição aplicada ao Flamengo. A movimentação dos agentes representa uma reclamação formal que ainda precisará ser analisada pelos órgãos responsáveis.

Flamengo busca preservar o caixa

A decisão de reprogramar pagamentos estaria ligada à necessidade de preservar o fluxo de caixa do clube durante a janela de transferências.

A atual diretoria já adotou uma estratégia semelhante no início de 2025, quando assumiu o comando do Flamengo e encontrou uma disponibilidade financeira reduzida para as despesas imediatas.

Agora, o clube voltou a trabalhar com cautela depois de realizar investimentos elevados no mercado. A contratação de Lucas Paquetá, por exemplo, teria alcançado um custo total de aproximadamente R$ 315,7 milhões, com cerca de R$ 155 milhões pagos à vista.

O movimento reduziu a capacidade imediata de investimento e aumentou a necessidade de reorganização dos compromissos financeiros.

Novas contratações seguem no planejamento

Mesmo adotando uma postura mais cautelosa, o Flamengo continua analisando reforços para o elenco de Leonardo Jardim.

Um dos principais nomes avaliados é Thiago Almada, do Atlético de Madrid. Entretanto, uma eventual negociação pelo meia argentino exigiria outro investimento elevado.

Ao adiar parte das comissões, a diretoria tenta manter recursos disponíveis para as despesas diárias e para possíveis movimentações no mercado. A estratégia, contudo, provocou uma reação forte dos empresários envolvidos nas operações.

O caso deverá continuar repercutindo nos bastidores. De um lado, os agentes cobram o cumprimento dos calendários financeiros acordados. Do outro, o Flamengo afirma que atua com responsabilidade, transparência e boa governança na administração de suas contas.