Flamengo supera R$ 900 milhões em reforços na gestão Bap
Clube soma aproximadamente R$ 595 milhões em vendas de jogadores, enquanto balanço do primeiro semestre aponta receita de R$ 839 milhões e déficit de R$ 33,8 milhões
Os números divulgados pelo Flamengo colocam a atual gestão diante de uma realidade impressionante: nunca se investiu tanto dinheiro na montagem do elenco rubro-negro.
Desde as chegadas do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e do diretor de futebol José Boto, o Flamengo já contabiliza aproximadamente R$ 902,2 milhões em contratações de jogadores. No mesmo período, o clube arrecadou cerca de R$ 595,1 milhões com vendas de atletas. Os valores consideram as movimentações realizadas em 2025 e 2026.
O levantamento não inclui somente os valores pagos aos antigos clubes pelos direitos econômicos. A conta das contratações considera também luvas destinadas aos jogadores e comissões de intermediação pagas durante as operações.
Isso ajuda a explicar por que os números apresentados no balanço são superiores aos valores normalmente divulgados no momento em que cada negociação é anunciada.
Paquetá lidera lista de contratações
Lucas Paquetá aparece como a operação mais cara da história do Flamengo. O retorno do meio-campista custou aproximadamente R$ 315,7 milhões, considerando direitos, luvas e R$ 16,6 milhões destinados à intermediação da negociação.
Logo depois aparece Samuel Lino, contratado em 2025, com custo total próximo de R$ 203 milhões. Jorge Carrascal representou um investimento de aproximadamente R$ 107,3 milhões, enquanto Emerson Royal custou cerca de R$ 78,8 milhões.
Entre as contratações de 2026, além de Paquetá, o Flamengo registrou aproximadamente R$ 81,9 milhões na operação envolvendo Vitão e R$ 34,7 milhões na chegada do goleiro Andrew.
Somente as principais operações contabilizadas em 2026 já representam mais de R$ 430 milhões. Em 2025, o total das contratações listadas pelo clube se aproximou de R$ 470 milhões.
O relatório oficial do Flamengo aponta que R$ 495,2 milhões foram adicionados aos direitos federativos somente no primeiro semestre de 2026, o maior investimento já realizado pelo clube nesse período de uma temporada. O documento explica que esse montante também reúne direitos econômicos, luvas e comissões.
Vendas chegam a quase R$ 600 milhões
Se o Flamengo gastou mais de R$ 900 milhões em contratações, também conseguiu movimentar valores expressivos com as saídas de jogadores.
As vendas realizadas na gestão Bap e José Boto somam aproximadamente R$ 595,1 milhões. Desse total, cerca de R$ 496,4 milhões foram contabilizados em 2025, principalmente com as negociações de Gerson, Wesley, Carlos Alcaraz, Matheus Gonçalves e Fabrício Bruno.
Gerson e Wesley foram negociados por valores superiores a R$ 150 milhões cada. Carlos Alcaraz rendeu aproximadamente R$ 90,8 milhões, Matheus Gonçalves cerca de R$ 51 milhões e Fabrício Bruno próximo de R$ 43,7 milhões.
Em 2026, as vendas de Juninho, Victor Hugo, Iago e Ryan Roberto representaram aproximadamente R$ 98,7 milhões. O balanço oficial registrou receita bruta de R$ 106,9 milhões com a movimentação de atletas no primeiro semestre, considerando também outros valores contabilizados pelo clube.
Receita de R$ 839 milhões no primeiro semestre
Além das transferências, o Flamengo registrou receita total de R$ 839 milhões nos primeiros seis meses de 2026, crescimento de 9,5% em comparação com o mesmo período de 2025.
A receita recorrente, que exclui as vendas de atletas, chegou a R$ 732,4 milhões. Segundo o clube, quando retirado o efeito extraordinário do Mundial de Clubes de 2025 da base de comparação, o crescimento dessas receitas recorrentes foi de aproximadamente 32%.
O Ebitda recorrente, indicador utilizado para medir a capacidade de geração de recursos antes das negociações de jogadores, ficou em R$ 156,9 milhões, com margem de 22,8%.
Mesmo com a receita elevada, o Flamengo encerrou o semestre com déficit contábil de R$ 33,8 milhões. O clube atribuiu parte importante desse resultado à amortização de R$ 192,4 milhões dos direitos econômicos dos atletas. Esse lançamento é contábil e não representa uma saída imediata de dinheiro do caixa.
Flamengo mantém caixa, mas compromissos continuam
O Flamengo terminou junho com R$ 127,8 milhões em caixa livre consolidado. Desse valor, R$ 89,8 milhões estavam sob administração direta do clube, enquanto o restante se encontrava com a empresa responsável pela operação do Maracanã.
A dívida líquida relacionada a atletas encerrou o segundo trimestre em R$ 304 milhões. Já o endividamento operacional líquido foi de R$ 280,2 milhões, após uma redução de R$ 207,9 milhões em relação ao pico registrado no fim de março.
De acordo com o Flamengo, parte das contratações foi parcelada, como costuma acontecer no mercado. Isso significa que uma parcela dos compromissos assumidos será paga nos próximos exercícios.
Conta pode ficar ainda maior
Os R$ 902,2 milhões investidos não representam necessariamente o número final da gestão nesta temporada.
O Flamengo continua atuando no mercado em busca de reforços. Novas contratações podem elevar o investimento para perto ou até acima da marca de R$ 1 bilhão.
O balanço confirma a enorme capacidade financeira do clube, mas também mostra o tamanho da responsabilidade assumida pela atual direção. Com valores tão elevados aplicados no futebol, a cobrança por um elenco completo, equilibrado e capaz de disputar todos os títulos cresce na mesma proporção.




