O Flamengo venceu o Vitória por 2 a 0 no Maracanã, mas talvez o resultado não tenha sido a principal notícia da noite. O que realmente chamou atenção foi a forma como o time entrou em campo e, principalmente, a mudança de comportamento apresentada pela equipe de Leonardo Jardim. O resultado levou o Rubro-Negro aos 42 pontos, seis atrás do Palmeiras, que tem uma partida a mais disputada.

Durante o primeiro tempo, vimos um Flamengo completamente diferente daquele que vinha deixando tantas dúvidas.

Foi um time intenso, agressivo na marcação, compactado e consciente daquilo que precisava fazer dentro de campo.

O Flamengo chegou a trabalhar com cerca de 75% de posse em momentos da primeira etapa, mas o mais importante não foi simplesmente ficar com a bola. A diferença estava no que acontecia quando a perdia.

Uma pressão pós-perda que sufocou o Vitória

A pressão pós-perda foi talvez o ponto que mais chamou atenção.

Quando perdia a posse, o Flamengo imediatamente cercava o jogador adversário e tentava recuperar a bola ainda no campo ofensivo. Isso impediu o Vitória de respirar e praticamente anulou qualquer tentativa de construção da equipe baiana durante boa parte do primeiro tempo.

Era um Flamengo muito mais compacto.

Os setores estavam próximos, os jogadores participavam da marcação e havia uma disposição coletiva que não víamos com a mesma frequência nas últimas apresentações.

Não foi apenas uma mudança tática.

Foi uma mudança de comportamento.

Todos pareciam entender melhor suas funções, e principalmente demonstravam disposição para executá-las.

Leonardo Jardim teve dez dias para trabalhar e, pelo menos nessa primeira resposta, conseguiu apresentar ajustes claros.

Um Flamengo consciente do que estava fazendo

Esse talvez seja o aspecto mais importante.

Em partidas anteriores, vimos muitas vezes um Flamengo com a bola, mas sem saber exatamente como transformar aquela posse em domínio verdadeiro.

Contra o Vitória, sobretudo no primeiro tempo, foi diferente.

O time empurrava o adversário para trás, recuperava rapidamente a bola e mantinha o jogo próximo da área adversária.

Ao final da partida, o Flamengo terminou com 62% de posse, 671 passes, 599 deles corretos, seis finalizações na direção do gol e oito escanteios. O Vitória teve apenas uma finalização certa. Os números ajudam a dimensionar o controle exercido pelo Rubro-Negro.

Mas futebol não se explica apenas por estatísticas.

A impressão visual talvez tenha sido ainda mais importante: o Flamengo parecia novamente um time grande jogando dentro do Maracanã.

A queda no segundo tempo também precisa ser observada

Nem tudo, porém, foi perfeito.

O Flamengo caiu de rendimento na segunda etapa.

É possível que a intensidade aplicada no primeiro tempo tenha cobrado seu preço fisicamente. Manter uma pressão pós-perda tão agressiva exige muito dos jogadores, principalmente quando praticamente todo o time participa dela.

Isso é algo que Leonardo Jardim terá de observar.

Porque o Flamengo que vimos nos primeiros 45 minutos foi exatamente o Flamengo que gostaríamos de ver com maior regularidade. A questão agora é saber durante quanto tempo a equipe consegue sustentar esse nível de intensidade.

Mesmo com a queda, porém, o mais importante foi perceber que existe um caminho.

Vitória também recoloca Flamengo na perseguição

Os três pontos ganharam ainda mais importância porque o Palmeiras empatou por 0 a 0 com o Internacional.

Com isso, o líder chegou aos 48 pontos, enquanto o Flamengo, com 42, reduziu a diferença para seis e ainda possui uma partida a menos.

O Flamengo ainda terá confronto direto com o Palmeiras e, portanto, mantém a disputa completamente aberta.

Mas não adianta fazer contas agora.

Para realmente buscar a liderança, precisa repetir o comportamento mostrado contra o Vitória e aproveitar as oportunidades que o campeonato oferecer.

Agora vem o teste da Libertadores

E não haverá muito tempo para comemorar.

Na quarta-feira, o Flamengo enfrenta o Cruzeiro, às 21h30, no Mineirão, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. A volta será no dia 19, no Maracanã.

É justamente nesse jogo que queremos saber se o Flamengo apresentado diante do Vitória veio para ficar.

No Mineirão, contra um adversário mais forte e numa competição eliminatória, será necessário repetir principalmente aquilo que funcionou no primeiro tempo: compactação, pressão pós-perda, intensidade e concentração.

O Flamengo mostrou que possui futebol para disputar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

Agora precisa mostrar que possui também regularidade.