O Flamengo voltou a apresentar neste domingo uma característica que vem se tornando cada vez mais evidente: a capacidade de dominar adversários no futebol brasileiro.

Diante de um Maracanã lotado, com mais de 70 mil pessoas, o Rubro-Negro controlou o Corinthians durante praticamente todo o primeiro tempo, teve cerca de 75% da posse de bola e impediu que a equipe paulista sequer conseguisse finalizar.

Era um domínio territorial, técnico e coletivo evidente.

Faltou, porém, aquilo que decide partidas: o gol.

E foi justamente a dificuldade em transformar superioridade em vantagem no placar que colocou o Flamengo em uma situação muito mais perigosa do que o desempenho apresentado em campo justificava.

O time venceu por 2 a 1, permaneceu na liderança do Campeonato Brasileiro e saiu do Maracanã comemorando.

Mas também saiu com um alerta.

Um primeiro tempo de amplo domínio

O Flamengo assumiu o controle desde o início.

A bola circulava majoritariamente no campo do Corinthians, os laterais avançavam, o meio-campo recuperava rapidamente a posse e a equipe paulista passava longos períodos apenas tentando resistir.

O Corinthians terminou a primeira etapa sem conseguir produzir uma finalização.

Do outro lado, o Flamengo criava.

E aí surgiu um dos grandes personagens do jogo.

Hugo Souza.

O goleiro revelado pelo próprio Flamengo apareceu diversas vezes para evitar que a superioridade rubro-negra se transformasse em vantagem no placar.

Foram defesas importantes, algumas delas em oportunidades muito claras, que permitiram ao Corinthians chegar ao intervalo ainda vivo.

O Flamengo controlava praticamente tudo.

Menos o resultado.

O gol finalmente aparece

Logo nos primeiros minutos do segundo tempo, a pressão finalmente produziu aquilo que havia faltado durante toda a etapa inicial.

Após cobrança para dentro da área, Hugo Souza tentou afastar, mas não conseguiu direcionar bem a defesa.

A bola ficou viva.

Lucas Paquetá apareceu no lugar certo e aproveitou a sobra para fazer 1 a 0.

Era o cenário que o Flamengo havia construído desde o início.

A vantagem parecia finalmente abrir a possibilidade de transformar o domínio em uma vitória confortável.

Só que isso não aconteceu.

Diniz muda e Corinthians consegue respirar

Fernando Diniz começou a utilizar algumas das principais opções que havia deixado no banco.

O Corinthians ganhou mais qualidade com a bola e passou a encontrar espaços que praticamente não existiram durante o primeiro tempo.

Não houve uma inversão completa da partida.

O Flamengo continuou sendo superior.

Mas deixou de exercer aquele controle absoluto visto anteriormente.

E quando o adversário começa a permanecer vivo por tempo demais, o risco aumenta.

O Corinthians passou a chegar um pouco mais.

Até encontrar o empate.

No lance, Alex Sandro não conseguiu alcançar a bola na marcação. O lateral havia retornado recentemente de lesão e ainda busca recuperar seu melhor ritmo de jogo, algo reconhecido por Leonardo Jardim após a partida.

O Flamengo pagava naquele momento pelo desperdício anterior.

Depois de dominar tanto, estava novamente empatando dentro de casa.

O perigo de dominar sem matar

Esse talvez seja o principal ponto deixado pela partida.

Não basta controlar.

Não basta ter posse.

Não basta finalizar mais.

Existe uma diferença enorme entre dominar um adversário e eliminar a possibilidade de reação desse adversário.

O Flamengo poderia ter saído para o intervalo com uma vantagem confortável.

Não saiu.

Poderia ter ampliado depois de Paquetá fazer 1 a 0.

Também não ampliou.

E chegou aos minutos finais com um resultado que poderia custar a liderança do Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras havia vencido na rodada.

Um empate deixaria dois pontos pelo caminho em pleno Maracanã.

Foi então que apareceu um jogador acostumado a esse tipo de momento.

Joaquín coloca na área, BH sobe para decidir

Nos minutos finais, Joaquín Freitas recebeu pelo lado direito.

O jovem argentino levantou a cabeça e fez um cruzamento preciso para dentro da área.

Bruno Henrique atacou a bola.

E atacou do jeito que tantas vezes marcou sua trajetória pelo Flamengo.

Subiu acima da marcação e cabeceou para o gol.

2 a 1.

Maracanã em festa.

Não era apenas o gol de uma vitória contra o Corinthians.

Era o gol que mantinha o Flamengo na liderança do Campeonato Brasileiro depois de uma partida que esteve perigosamente próxima de terminar empatada.

Para Joaquín Freitas, mais uma demonstração de personalidade logo no início de sua trajetória no clube.

Para Bruno Henrique, mais um capítulo de uma história construída justamente em momentos decisivos.

Bruno Henrique e uma história que já pertence ao Flamengo

A transmissão da Globo destacou durante a partida a marca de 200 jogos de Bruno Henrique no Maracanã e 65 gols.

O número ajuda a dimensionar a relação construída pelo atacante com o estádio e com o Flamengo.

Mas, talvez, nenhuma estatística consiga explicar completamente o peso de Bruno Henrique em determinados momentos.

Há jogadores que participam de muitas vitórias.

E existem jogadores que aparecem exatamente quando a partida começa a escapar.

BH fez isso novamente.

Poucos dias antes, havia marcado na altitude de Quito contra o Independiente del Valle.

Agora decidiu uma partida de Campeonato Brasileiro aos minutos finais diante de mais de 70 mil pessoas.

As homenagens recebidas e o reconhecimento da torcida não surgem apenas pela quantidade de gols.

Surgem pelo peso de muitos deles.

Bruno Henrique já faz parte da história do Clube de Regatas do Flamengo.

E contra o Corinthians acrescentou mais uma página.

Liderança mantida, alerta ligado

O Flamengo terminou a noite com aquilo que precisava.

Três pontos.

Vitória sobre um rival tradicional.

Maracanã lotado.

E liderança preservada.

Mas o resultado não deve esconder aquilo que a própria partida mostrou.

Um time que pretende conquistar o Campeonato Brasileiro precisa transformar partidas de tamanho domínio em resultados mais confortáveis.

Porque nem sempre haverá um gol nos minutos finais.

Nem sempre haverá um Bruno Henrique para resolver.

E, numa disputa apertada pelo título, dois pontos desperdiçados numa partida completamente controlada podem fazer diferença meses depois.