A vitória sobre o Corinthians manteve o Flamengo na liderança do Campeonato Brasileiro, mas a entrevista de Leonardo Jardim depois do jogo revelou outro desafio que começa a ganhar peso nesta reta da temporada: administrar um elenco submetido a uma sequência cada vez mais exigente.
Mais do que explicar escolhas feitas no 2 a 1 do Maracanã, o treinador expôs situações físicas que ajudam a entender por que o rodízio deixou de ser apenas uma opção e passou a ser praticamente uma necessidade.
Jorginho chegou ao confronto em condição de atenção. Léo Pereira sequer foi utilizado porque a comissão técnica avaliou que havia risco de lesão. Alex Sandro voltou depois de um longo período sem atuar e, segundo Jardim, ainda precisa recuperar sua melhor condição.
Ao mesmo tempo, o próximo compromisso pelo Brasileirão já obrigará o treinador a buscar novas soluções.
Lucas Paquetá e Erick Pulgar estarão fora contra o Red Bull Bragantino.
Para Jardim, chegou a hora de jogadores que vêm recebendo menos minutos mostrarem que o elenco do Flamengo realmente possui profundidade.
Jorginho chegou ao limite
Uma das revelações mais importantes da coletiva foi sobre Jorginho.
O meio-campista começou a partida contra o Corinthians no banco e entrou apenas durante a segunda etapa.
Jardim explicou que a escolha não foi simplesmente técnica.
O treinador lembrou que, em outro momento da temporada, Jorginho disputou cinco partidas consecutivas e apresentou um problema muscular justamente no jogo seguinte.
Por isso, a comissão técnica decidiu reduzir a carga agora.
A situação mostra como o Flamengo precisa equilibrar duas necessidades que muitas vezes entram em conflito: colocar os melhores jogadores em campo e, ao mesmo tempo, impedir que o excesso de minutos provoque lesões justamente na fase decisiva do calendário.
Não adianta utilizar um titular até o limite em setembro e perdê-lo quando chegarem os jogos que podem definir títulos.
Léo Pereira também virou sinal de atenção
O caso de Léo Pereira segue raciocínio semelhante.
O zagueiro não enfrentou o Corinthians e Jardim deixou claro que a decisão foi preventiva.
A avaliação da comissão técnica indicava que o defensor estava próximo de uma zona de risco físico.
Em vez de insistir, o Flamengo preferiu preservar.
A ausência abriu espaço para Danilo formar a dupla de zaga com Léo Ortiz.
É um exemplo importante de como um elenco numeroso deixa de ser luxo quando a temporada entra numa sequência de viagens, Libertadores e Campeonato Brasileiro praticamente sem espaço para recuperação completa.
Durante boa parte do ano, a discussão sobre o tamanho do elenco do Flamengo esteve relacionada à disputa por posições.
Agora, começa a aparecer outra função dessa profundidade: evitar que os mesmos jogadores sejam levados repetidamente ao limite.
Alex Sandro ainda busca melhor condição
Outra situação física abordada por Jardim foi a de Alex Sandro.
O lateral voltou a atuar depois de um período prolongado fora e entrou durante o segundo tempo contra o Corinthians porque Ayrton Lucas pediu substituição.
Jardim reconheceu que Alex ainda não está na melhor condição.
Isso significa que, mesmo tendo duas opções de alto nível para a lateral esquerda, a comissão técnica continua precisando administrar cuidadosamente os minutos dos dois jogadores.
Ayrton Lucas vive bom momento, mas não pode ser utilizado indefinidamente.
Alex Sandro está voltando, mas ainda precisa ganhar ritmo.
Na prática, a profundidade existe, mas nem sempre todos os jogadores disponíveis estão em condições de suportar a mesma carga.
Rodízio deixou de ser apenas escolha
Desde que chegou ao Flamengo, Jardim tem defendido que o clube não pode depender de apenas 11 jogadores.
Nas últimas semanas, essa filosofia ganhou ainda mais importância.
Paquetá foi preservado em determinado momento. Jorginho recebeu descanso contra o Corinthians. Pulgar também já teve sua carga administrada. Arrascaeta passou pelo mesmo processo.
A lógica é tentar distribuir minutos antes que o desgaste obrigue a comissão técnica a fazer mudanças por lesão.
Esse planejamento, porém, só funciona se quem entra conseguir manter o nível.
Contra o Corinthians, dois jogadores que saíram do banco participaram diretamente do gol da vitória: Joaquín Freitas deu a assistência e Bruno Henrique marcou.
Esse tipo de resposta é exatamente o que Jardim precisa encontrar em outras posições.
Bragantino já traz novo problema
Depois do compromisso decisivo com o Independiente del Valle pela Libertadores, o Flamengo recebe o Red Bull Bragantino pelo Campeonato Brasileiro.
E Jardim já sabe que terá mudanças obrigatórias no meio-campo.
Paquetá e Pulgar estarão fora.
Isso abre espaço para jogadores que podem ter participado menos nas últimas rodadas e transforma a partida em mais um teste para a profundidade do elenco.
O próprio treinador mandou um recado direto durante a coletiva: quem vem jogando menos precisa entender que haverá momentos em que terá de assumir responsabilidade.
Não basta o Flamengo possuir um elenco numeroso no papel.
A sequência atual exige que as alternativas realmente funcionem quando forem chamadas.
Um problema de quem disputa tudo
O desgaste também precisa ser observado dentro de um contexto maior.
O Flamengo está disputando simultaneamente a liderança do Campeonato Brasileiro e uma vaga na semifinal da Libertadores.
Na última quinta-feira, a equipe jogou em Quito, enfrentando altitude, viagem longa e uma partida fisicamente exigente.
Poucos dias depois, voltou ao Maracanã para enfrentar o Corinthians.
Agora terá novamente um jogo decisivo pela Libertadores antes de retornar ao Brasileirão.
Não existe espaço real para recuperação completa entre todos esses compromissos.
Por isso, a gestão física pode acabar tendo peso semelhante à própria escolha técnica dos titulares.
Não necessariamente jogará sempre quem estiver melhor tecnicamente.
Em alguns momentos, jogará quem estiver em melhores condições para suportar aquela partida.




