O Flamengo já está em Quito e, depois de dias de discussão sobre os 2.850 metros de altitude, ganhou um novo ponto de atenção para o duelo com o Independiente del Valle: o gramado do Estádio Olímpico Atahualpa.

Na véspera da partida de ida das quartas de final da Libertadores, o campo apresentava falhas visíveis, principalmente nas regiões próximas aos gols. Funcionários trabalharam durante esta quarta-feira na tentativa de melhorar as condições antes de a bola rolar, às 21h30 de Brasília desta quinta-feira.

O problema muda um pouco o foco da preparação rubro-negra. A altitude continua sendo uma variável importante, mas o Flamengo chegou antecipadamente ao Equador justamente para reduzir o impacto da adaptação. O estado do campo, por outro lado, surgiu como um componente novo às vésperas de uma partida em que qualquer erro pode pesar numa eliminatória de 180 minutos.

O Atahualpa não é a casa habitual do Del Valle

O Independiente del Valle normalmente manda seus jogos no Estádio Banco Guayaquil, em Sangolquí. Para enfrentar o Flamengo, porém, o clube optou pelo Olímpico Atahualpa, em Quito, principalmente por causa da capacidade maior.

O Atahualpa comporta cerca de 35 mil torcedores, enquanto o Banco Guayaquil recebe aproximadamente 12 mil. A expectativa divulgada para quinta-feira é de 15 a 20 mil pessoas, com cerca de 1.500 flamenguistas. O Del Valle também colocou ingressos entre US$ 10 e US$ 25 para ampliar o público.

A escolha faz sentido do ponto de vista financeiro e de ambiente. O confronto contra o Flamengo é uma das partidas mais importantes do ano para o clube equatoriano e permite levar ao estádio um público superior ao que caberia em sua casa habitual.

Mas a mudança de estádio também introduz uma variável esportiva: o Del Valle não estará jogando no gramado que utiliza com maior frequência, e o Flamengo encontrará um campo que, na véspera, ainda recebia trabalho de recuperação.

O que um campo irregular pode mudar

Não há, até agora, indicação de que o jogo esteja ameaçado ou de que o gramado não tenha condições de receber a partida. O alerta é outro.

Em uma superfície com falhas, a velocidade e o quique da bola podem ficar menos previsíveis em determinadas zonas. Isso pode afetar principalmente equipes que procuram construir por baixo, trocar passes com rapidez e encontrar jogadores entre as linhas.

Para o Flamengo de Leonardo Jardim, isso exige leitura rápida do jogo. Se o campo não responder bem, insistir numa circulação excessivamente curta pode aumentar o número de perdas em zonas perigosas. Bolas mais diretas, disputa de segunda bola e menor exposição na saída podem tornar-se alternativas importantes durante determinados momentos.

Também existe uma área especialmente sensível: as proximidades dos gols, justamente onde foram observadas as principais falhas. É nesse espaço que domínio, último passe e finalização exigem maior precisão.

Nada disso significa que o gramado favorecerá automaticamente o Independiente del Valle. O adversário também terá de atuar sobre a mesma superfície. A questão é qual equipe perceberá mais rapidamente o tipo de jogo que o campo permitirá.

Flamengo mudou a logística para Quito

O Rubro-Negro não voltou ao Rio depois da vitória sobre o Remo pelo Brasileirão. A delegação seguiu para o Equador e realizou o primeiro treino em Quito na terça-feira, no CT Edgardo Bauza, da LDU.

A estratégia foi planejada para aumentar o período de adaptação aos 2.850 metros da capital equatoriana. Gonzalo Plata participou normalmente da atividade após a negociação frustrada com o Dínamo de Moscou e voltou a trabalhar com o grupo. Anthony Valencia e Joaquín Freitas também viajaram com a delegação.

Alex Sandro e Evertton Araújo permaneceram no Brasil em recuperação de lesões. Everton Cebolinha deixou a delegação para tratar de sua saída do clube.

O planejamento físico foi montado pensando na altitude. Agora, Leonardo Jardim e sua comissão também precisam considerar o comportamento do gramado na definição da estratégia para os primeiros 90 minutos.

Um estádio conhecido pelo Flamengo

Esta não será a primeira visita rubro-negra ao Olímpico Atahualpa. O último encontro do Flamengo no estádio aconteceu em fevereiro de 2020, justamente contra o Independiente del Valle, pela Recopa Sul-Americana.

Na ocasião, houve empate por 2 a 2 em Quito, com gols de Bruno Henrique e Pedro. Na volta, no Maracanã, o Flamengo venceu por 3 a 0 e conquistou o título.

Seis anos depois, o cenário é diferente. O Flamengo chega como uma das maiores potências do continente, enquanto o Del Valle consolidou sua condição de adversário capaz de competir com gigantes sul-americanos.

E, desta vez, além do rival e da conhecida altitude de Quito, o estado do campo entrou de última hora na lista de fatores que podem interferir no primeiro capítulo das quartas de final.