A classificação do Flamengo para a semifinal da Libertadores veio acompanhada de um problema que Leonardo Jardim já sabe que terá de resolver: Jorginho está fora do jogo de ida contra o Estudiantes.

O volante foi expulso no segundo tempo do empate por 1 a 1 com o Independiente del Valle, no Maracanã, e cumprirá suspensão automática na primeira partida da semifinal, que será disputada na Argentina. O Flamengo decide a vaga depois no Rio de Janeiro.

A ausência ganha peso porque Jorginho não é apenas mais um jogador do meio-campo. Ele participa diretamente da organização da saída de bola, ajuda a controlar o ritmo das partidas e funciona como um dos pontos de equilíbrio entre defesa e ataque.

E justamente no tipo de jogo que o Flamengo encontrará em La Plata, perder esse perfil pode obrigar Jardim a mexer mais do que apenas em um nome.

Flamengo já conhece o ambiente que encontrará

Flamengo e Estudiantes já se enfrentaram duas vezes nesta Libertadores.

Na Argentina, pela fase de grupos, houve empate por 1 a 1. O Flamengo saiu na frente com Luiz Araújo, mas sofreu o empate no segundo tempo, em uma partida de muita disputa e pressão do time argentino. Jorginho foi titular e atuou durante os 90 minutos naquele confronto.

No reencontro, no Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Pedro, e garantiu antecipadamente a classificação para as oitavas de final. Mais uma vez, Jorginho começou a partida e permaneceu em campo durante todo o jogo.

Isso torna a suspensão ainda mais relevante.

Jorginho esteve presente nos dois confrontos contra o Estudiantes e conhece diretamente a forma como a equipe argentina pressiona, disputa o meio-campo e tenta transformar a partida em um jogo físico.

Agora, justamente na partida fora de casa, Jardim precisará encontrar uma solução diferente.

Jardim perde uma peça de controle

Jorginho participou de seis partidas do Flamengo na Libertadores de 2026 antes da expulsão contra o Del Valle, sendo titular em todas elas. Até as quartas de final, havia acumulado 529 minutos na competição.

Mais importante do que o número bruto de minutos é a função que exerce.

Jardim já demonstrou ao longo da temporada que considera Jorginho uma peça importante para organizar o meio. Mesmo durante um período de desempenho abaixo do esperado, o treinador publicamente reforçou confiança no jogador e destacou sua importância dentro da equipe.

Contra o Del Valle, Jorginho formou o meio ao lado de Erick Pulgar e Lucas Paquetá. A expulsão, aos 20 minutos do segundo tempo, mudou completamente a dinâmica do jogo e obrigou o Flamengo a recuar diante da pressão equatoriana.

O próprio Jardim resumiu o impacto daquele momento ao dizer que, quando Jorginho saiu, a torcida precisou assumir o papel de “12º jogador”.

Na semifinal, porém, não haverá como recorrer ao mesmo cenário desde o início.

Paquetá pode voltar ao setor onde Jardim mais gosta dele

Uma das alternativas naturais passa por Lucas Paquetá.

Jardim já afirmou que enxerga o jogador principalmente como segundo volante, ainda que sua versatilidade permita utilização em posições mais avançadas.

Essa discussão voltou à tona justamente depois da partida contra o Del Valle. Paquetá começou mais perto do ataque, ocupando uma função normalmente exercida por Arrascaeta, mas não teve bom desempenho.

Sem Jorginho, o cenário pode ser diferente.

Paquetá pode ser recuado para uma função em que consegue participar mais da construção e dos duelos no meio, enquanto Arrascaeta retorna à zona de criação.

Há um detalhe interessante: o quarteto formado por Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta atuou junto por apenas 175 minutos em toda a temporada até agosto. Um dos principais obstáculos apontados era justamente encontrar a posição ideal para Paquetá sem desequilibrar o setor.

A suspensão de Jorginho retira uma peça importante, mas pode abrir espaço para Jardim reorganizar o desenho.

Pulgar ganha ainda mais responsabilidade

Erick Pulgar também passa a assumir um papel central.

O chileno foi titular diante do Del Valle e é outro jogador com capacidade para iniciar a construção desde trás, proteger a defesa e participar da circulação da bola.

Sem Jorginho, porém, a responsabilidade aumenta.

O Flamengo pode optar por manter Pulgar como volante mais posicional e colocar Paquetá ao seu lado, preservando Arrascaeta mais adiantado. Outra possibilidade é Jardim recorrer a Saúl ou Nico De la Cruz, dependendo do momento físico e da estratégia escolhida para o confronto.

Não seria a primeira vez que o treinador precisaria reorganizar o setor por causa da ausência de Jorginho. Em maio, quando o volante esteve suspenso em outra competição, Jardim também precisou trabalhar alternativas no meio, incluindo Paquetá, Pulgar e até possibilidades mais improvisadas.

A diferença agora é o tamanho do jogo.

Estudiantes já mostrou que sabe pressionar

O primeiro confronto entre as equipes em La Plata serve como referência importante.

Naquela partida, o Flamengo abriu o placar, mas viu o Estudiantes crescer no segundo tempo, ocupar mais o campo ofensivo e chegar ao empate. Rossi ainda precisou fazer intervenções importantes para evitar a virada.

Na semifinal, a tendência é que o ambiente seja semelhante ou ainda mais intenso.

O Estudiantes chega à fase depois de eliminar o Corinthians e terá a vantagem de disputar o primeiro jogo diante de sua torcida. O Flamengo, por outro lado, sabe que qualquer descontrole na Argentina pode tornar a volta no Maracanã muito mais complicada.

É justamente nesse cenário que a ausência de um jogador acostumado a controlar o ritmo se torna mais sentida.