Agustín Rossi terminou a classificação do Flamengo para a semifinal da Libertadores com uma estatística que jamais havia conseguido na carreira: uma assistência. Mas a maneira como ela aconteceu transforma o número em uma das histórias mais improváveis da noite no Maracanã.

O Flamengo vencia o confronto contra o Independiente del Valle por 2 a 0 no agregado, mas atravessava momentos de enorme pressão. Perdia por 1 a 0, estava com um jogador a menos depois da expulsão de Jorginho e havia acabado de sobreviver a um segundo gol equatoriano anulado por impedimento. Foi nesse cenário que Rossi simplesmente tentou afastar o perigo.

O goleiro deu um chutão para frente e abaixou a cabeça. Não havia construção planejada, lançamento calculado para deixar Arrascaeta na cara do gol ou qualquer intenção de assistência. Quando Rossi voltou a acompanhar a jogada, a bola já havia quicado de maneira estranha no gramado, passado pelo goleiro Aldair Quintana e encontrado Arrascaeta livre para marcar.

Na súmula e nas estatísticas, assistência de Rossi.

Na prática, um daqueles lances que só o futebol consegue explicar.

Primeira assistência da carreira

Depois da partida, o próprio Rossi tratou a situação com bom humor. O argentino contou que imaginou que a bola fosse sair e reconheceu que a irregularidade do campo teve participação decisiva no lance.

“Acho que a bola ia para fora, mas obrigado ao campo também.”

O quique alto tirou o tempo de Quintana e transformou um chutão defensivo na primeira assistência da carreira do goleiro rubro-negro.

A ironia é enorme.

Minutos depois, Rossi faria uma das críticas mais fortes da noite justamente ao mesmo gramado que havia colaborado para sua assistência.

O goleiro classificou como inacreditável o Flamengo precisar jogar em um campo naquele estado, principalmente pela maneira como a equipe tenta construir suas jogadas. Também chamou atenção para as duas áreas, onde havia muita lama, e lembrou que o Maracanã ainda receberá o evento da NFL antes de uma nova intervenção no gramado.

Ou seja: o campo atrapalhou o Flamengo durante praticamente toda a partida e, no fim, participou diretamente do lance que trouxe alívio ao Maracanã.

Rossi também fez uma leitura dura do jogo

A entrevista do argentino não ficou limitada à assistência e ao gramado.

Rossi reconheceu as dificuldades do Flamengo diante do Del Valle e destacou que o time demorou para encontrar soluções contra a organização defensiva equatoriana.

Segundo o goleiro, o Flamengo insistiu demais em atacar por dentro durante o primeiro tempo. No intervalo, a equipe tentou corrigir o posicionamento e procurar mais jogadas pelos lados. Depois, a expulsão de Jorginho modificou novamente o cenário e obrigou o time a suportar a pressão com dez jogadores.

Para Rossi, esse sofrimento também faz parte de uma competição como a Libertadores.

O goleiro lembrou situações anteriores em que o Flamengo precisou sobreviver em inferioridade numérica e valorizou o esforço coletivo para confirmar novamente um lugar entre os quatro melhores times da América.

A classificação veio depois da vitória por 2 a 0 em Quito e do empate por 1 a 1 no Maracanã. O próximo adversário será o Estudiantes, com o primeiro confronto na Argentina e a decisão da vaga no Rio de Janeiro.

Uma assistência com significado especial

Por trás da curiosidade estatística, havia também um componente pessoal.

Rossi revelou que aquele 17 de setembro seria aniversário de seu pai. Por isso, dedicou a classificação e a primeira assistência da carreira a ele, além da esposa, do filho e da família que o acompanha.

O momento ajuda a explicar a explosão do goleiro depois do gol.

Rossi correu para comemorar, apontou para as arquibancadas e foi abraçado pelos companheiros. O Flamengo havia acabado de atravessar o momento mais perigoso da eliminatória e transformava uma noite que poderia terminar em enorme sofrimento em mais uma classificação continental.

Arrascaeta ficou com o gol.

Rossi, sem planejar, ficou com a assistência.

E o gramado do Maracanã, tão criticado durante toda a noite, acabou tendo participação inesperada na história.