O corte de Wesley da Seleção Brasileira poderia ser tratado apenas como mais uma baixa médica antes de uma Data Fifa. Mas, olhando para o que aconteceu com a lateral direita do Brasil nos últimos anos, a ausência do jogador da Roma revela algo maior.
A posição continua aberta.
Wesley havia sido convocado por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia, mas foi retirado da lista por lesão. A CBF não detalhou o problema físico desta vez e chamou Vanderson, do Monaco, para ocupar a vaga.
É o segundo corte importante de Wesley em poucos meses.
Em junho, o então lateral convocado para a Copa do Mundo sofreu uma lesão muscular no adutor da coxa esquerda após o amistoso contra o Egito e ficou fora do Mundial. Curiosamente, naquela ocasião Ancelotti não chamou outro lateral-direito: escolheu o volante Éderson e seguiu para a competição com Danilo e Ibañez como opções para o setor.
Agora, no início de um novo ciclo, Wesley para novamente.
E o problema não é apenas dele.
Doze nomes e nenhum dono
O Brasil passou boa parte das últimas décadas acostumado a ter referências na lateral direita.
Cafu atravessou três Copas como protagonista. Depois vieram Maicon e Daniel Alves, em períodos diferentes, disputando uma posição que raramente parecia carente de jogadores de projeção internacional.
O cenário recente é outro.
No ciclo entre 2023 e 2026, a Seleção convocou 24 laterais diferentes. Metade deles atuava pela direita.
Danilo, Wesley, Ibañez, Éder Militão, Dodô, Arthur, Emerson Royal, Paulo Henrique, Vanderson, Vitinho, William e Yan Couto passaram pelas listas.
Doze nomes.
A quantidade, porém, não produziu uma unanimidade.
O dado chama ainda mais atenção porque lateral foi a segunda posição com mais jogadores testados durante todo aquele ciclo, atrás apenas do ataque. Entre 2018 e 2022, para comparação, a Seleção havia convocado 13 laterais somando os dois lados do campo.
O Brasil procura bastante porque ainda não encontrou uma resposta definitiva.
Wesley parecia começar na frente
É justamente por isso que a situação de Wesley chama atenção.
Aos 22 anos, atuando na Roma e já inserido no ambiente da Seleção, o ex-Flamengo chegou ao novo ciclo com uma vantagem que poucos concorrentes possuem: idade, experiência em uma grande liga europeia e características ofensivas capazes de dar profundidade pelo corredor.
Depois da Copa, análises sobre a renovação da Seleção apontavam Wesley como o jogador mais próximo de assumir a posição. Vanderson aparecia entre os concorrentes mais fortes, enquanto outros nomes permaneciam no radar.
Mas disponibilidade também faz parte da disputa.
Wesley perdeu o Mundial por um problema muscular e agora perde a primeira Data Fifa após a competição por uma nova lesão.
Para um jogador jovem e numa posição ainda sem dono, são oportunidades importantes que deixam de existir.
Matheuzinho e Vanderson ganham espaço
A convocação original de setembro mostrava como Ancelotti pretende abrir a disputa.
Wesley e Matheuzinho, do Corinthians, eram os laterais-direitos escolhidos. Com o corte do jogador da Roma, Vanderson voltou à Seleção.
Não significa que faltem bons jogadores ao futebol brasileiro.
Matheuzinho ganhou espaço suficiente para entrar numa convocação de renovação. Vanderson está há anos no futebol francês e já havia sido utilizado pela Seleção. Yan Couto atua no Borussia Dortmund, Arthur está no Bayer Leverkusen, além de outros nomes espalhados pelo Brasil e pela Europa.
O problema é outro.
Nenhum deles conseguiu ainda transformar a posição em sua.
Vanderson, inclusive, também teve problemas físicos interrompendo sua sequência nos últimos anos. Wesley parecia ganhar terreno, mas agora enfrenta o mesmo obstáculo.
A lateral direita brasileira tem candidatos.
Ainda falta o protagonista.
A posição também mudou
Parte dessa dificuldade não é exclusivamente brasileira.
O futebol mudou a função dos laterais. Muitos times passaram a utilizar zagueiros abertos, alas, jogadores que entram por dentro ou laterais com responsabilidades cada vez mais específicas dentro de sistemas táticos.
A própria Seleção mostrou isso na Copa.
Quando perdeu Wesley, Ancelotti optou por não buscar outro jogador com as mesmas características. Danilo e Ibañez, dois atletas capazes de atuar como zagueiros, ficaram como alternativas para a direita.
Ainda assim, para uma seleção historicamente acostumada a produzir jogadores capazes de dominar todo um corredor, chama atenção chegar a outro ciclo novamente fazendo testes.
E é nesse cenário que cada lesão de Wesley ganha um peso maior.




