O Maracanã vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos.

Dentro de campo, o problema está visível: o gramado recebe críticas recorrentes de jogadores e treinadores e já não apresenta condições compatíveis com o nível das partidas disputadas no estádio.

Fora dele, a situação também se tornou cada vez mais tensa.

Flamengo e Fluminense administram o Complexo Maracanã por meio da Fla-Flu Serviços S.A., vencedora da licitação que concedeu a gestão do estádio por 20 anos. O contrato envolve obrigações de manutenção, operação, investimentos e pagamentos ao Estado.

Ao mesmo tempo, a relação com o Vasco da Gama vem acumulando conflitos jurídicos e esportivos.

Vasco já teve pedido recusado em agosto

Em agosto, o Vasco solicitou o Maracanã para enfrentar o Vitória pela Copa do Brasil.

A concessionária Fla-Flu recusou o pedido alegando que o estádio passaria por um período de manutenção do gramado e que a programação já havia sido definida antes da solicitação vascaína.

O Vasco recorreu à Justiça.

No dia 21 de agosto, o pedido de urgência para obrigar a concessionária a liberar o estádio foi negado. O clube acabou disputando a partida em São Januário.

Na ocasião, a própria concessionária informou que o Vasco havia utilizado o Maracanã seis vezes desde abril de 2025, sustentando que não havia proibição generalizada ao clube, mas recusas ligadas a datas específicas e às condições técnicas do estádio.

Existe acordo entre os clubes, mas há disputa sobre o alcance

Outro ponto central dessa guerra é um acordo firmado entre Vasco, Flamengo e Fluminense.

O documento prevê a possibilidade de o Vasco pleitear partidas no Maracanã durante o período acordado.

O conflito está na interpretação jurídica.

Flamengo e Fluminense sustentaram em juízo que o acordo foi assinado pelos clubes, mas não pela Fla-Flu Serviços S.A., atual concessionária formal do estádio. A tese apresentada foi de que o documento não obrigaria automaticamente a empresa gestora.

Além disso, a defesa da concessionária afirma que o direito de solicitar partidas não equivale a uma obrigação de aceitar qualquer pedido, especialmente quando houver conflitos de calendário ou necessidade de manutenção do gramado.

É exatamente essa diferença que mantém a disputa aberta.

Gramado em estado crítico aumenta o problema

Enquanto clubes e advogados discutem contratos, o campo apresenta um problema muito concreto.

O gramado do Maracanã vem sendo duramente criticado.

Rossi, Arrascaeta e Léo Ortiz estão entre os jogadores do Flamengo que reclamaram das condições da superfície. O CEO do Maracanã, Fred Nantes, também afirmou recentemente que as negativas ao Vasco tiveram relação com a necessidade de preservar o campo.

A situação chegou a um ponto em que a administração já avalia uma substituição completa do gramado.

Depois do jogo da NFL marcado para 27 de setembro, existe a possibilidade de utilizar uma relva reserva cultivada em uma fazenda em Saquarema.

O problema é o tempo.

A troca exige aproximadamente 10 a 12 dias de condições climáticas favoráveis. O Fluminense volta ao estádio em 8 de outubro, contra o Coritiba, apenas 11 dias depois da NFL. Flamengo e Fluminense fazem o clássico em 11 de outubro.

Ou seja, a margem para realizar o trabalho é mínima.

A disputa agora ameaça sair ainda mais do controle

O novo capítulo envolve novamente o Vasco.

Segundo informações recebidas pelo Fla Opina, o clube pretende reagir às negativas do consórcio e avalia retirar um futuro Vasco x Flamengo do Maracanã como forma de retaliação.

São Januário seria a primeira alternativa.

No entanto, para partidas de determinadas fases de competições da Conmebol, o estádio não atende à capacidade mínima exigida. Por isso, outras opções podem entrar em discussão, inclusive a realização da partida fora do Rio de Janeiro.

Também há a intenção do Vasco de voltar a questionar juridicamente a própria concessão do Maracanã.

Esse movimento tem precedente.

Em 2024, o clube já havia tentado suspender a licitação do estádio, questionando aspectos do processo que acabou vencido pelo consórcio Fla-Flu.

Agora, uma nova tentativa de atingir a concessão dependeria de argumentos mais amplos do que simples divergências sobre datas.

Para anular a licitação, seria necessário demonstrar ilegalidades relevantes no processo. Para buscar o fim da concessão por descumprimento, seria preciso apontar falhas graves e enquadráveis nas regras contratuais e legais.

Recentemente, a concessionária também entrou no radar do Governo do Estado e do Ministério Público.

Foi aplicada uma multa de R$ 401.217,48 após relatório apontar falhas de documentação e manutenção. A penalidade está suspensa enquanto recurso administrativo é analisado, e a concessionária nega irregularidades. Também há investigação sobre suspeitas de superlotação.

Esses episódios podem ser utilizados como argumentos em novas disputas, mas não significam automaticamente que a concessão esteja próxima de ser anulada.