O Flamengo está seis pontos atrás do Palmeiras na disputa pelo Campeonato Brasileiro.

O líder soma 51 pontos. O Rubro-Negro tem 45.

À primeira vista, a diferença parece estar simplesmente nas derrotas, nos empates ou no bom desempenho do rival paulista.

Mas um levantamento exclusivo realizado pelo Fla Opina, partida por partida, encontrou um dado que ajuda a explicar por que o Flamengo não está ainda mais próximo da liderança.

O Flamengo já deixou 12 pontos pelo caminho em partidas nas quais chegou a estar vencendo.

Foram cinco jogos.

Em dois deles, o Rubro-Negro chegou a abrir o placar e terminou derrotado.

Nos outros três, saiu na frente e permitiu o empate.

A conta é simples.

Uma vitória vale três pontos.

Quando uma equipe está vencendo e termina empatando, deixa dois pontos pelo caminho.

Quando está vencendo e sofre a virada, deixa três.

Somados os cinco jogos do Flamengo, são 12 pontos que estavam ao alcance da equipe durante as partidas e acabaram escapando.

É importante fazer uma ressalva: isso não significa afirmar que o Flamengo "deveria" ter esses 12 pontos ou que a classificação real seria necessariamente outra.

Futebol não funciona apenas por projeções matemáticas.

Mas o levantamento mostra com clareza o peso que a dificuldade de administrar vantagens teve na campanha rubro-negra.

São Paulo 2 x 1 Flamengo: os primeiros três pontos escaparam

A primeira ocorrência aconteceu logo na estreia do Campeonato Brasileiro.

Em 28 de janeiro, no Morumbis, o Flamengo enfrentou o São Paulo e abriu o placar no início do segundo tempo.

Plata marcou aos oito minutos e colocou o Rubro-Negro em vantagem.

Sete minutos depois, Luciano empatou.

Aos 25 minutos da etapa final, Danielzinho completou a virada paulista.

O Flamengo passou de uma situação em que tinha três pontos nas mãos para terminar sem nenhum.

Pontos deixados após abrir vantagem: 3.

Na ocasião, o treinador ainda era Filipe Luís.

Esse detalhe é importante porque mostra que o problema não começou exclusivamente na gestão de Leonardo Jardim.

Corinthians 1 x 1 Flamengo: vantagem durou apenas 16 minutos

O segundo caso aconteceu em 22 de março, na Neo Química Arena.

O Flamengo começou de forma praticamente perfeita.

Lucas Paquetá abriu o placar com apenas dois minutos.

A vantagem, porém, durou pouco.

Yuri Alberto empatou para o Corinthians aos 18 minutos.

O jogo terminou em 1 a 1.

A partida teve uma particularidade importante: o Flamengo jogou boa parte do segundo tempo com um jogador a menos após a expulsão de Evertton Araújo.

Por isso, o contexto precisa ser considerado.

Mesmo assim, para fins do levantamento, o fato permanece: o Flamengo esteve vencendo e terminou com apenas um ponto.

Pontos deixados após abrir vantagem: 2.

Acumulado: 5 pontos.

Flamengo 2 x 2 Vasco: o desperdício mais difícil de explicar

Talvez nenhum jogo do levantamento seja tão significativo quanto o clássico contra o Vasco.

Em 3 de maio, no Maracanã, o Flamengo abriu o placar com Pedro ainda aos oito minutos.

No segundo tempo, Jorginho converteu um pênalti e fez 2 a 0.

O Rubro-Negro tinha dois gols de vantagem dentro de casa.

Parecia ter o clássico controlado.

Mas o Vasco reagiu.

Robert Renan diminuiu aos 39 minutos do segundo tempo.

Já aos 52 minutos, Hugo Moura marcou o gol do empate.

Flamengo 2, Vasco 2.

Nesse caso, não estamos falando apenas de uma vantagem mínima perdida.

O Flamengo abriu dois gols, entrou nos minutos finais ainda vencendo e permitiu que o rival buscasse a igualdade nos acréscimos.

Pontos deixados após abrir vantagem: 2.

Acumulado: 7 pontos.

É justamente esse tipo de partida que ganha peso quando o campeonato chega à reta decisiva.

Dois pontos em maio parecem pouco.

Dois pontos quando a diferença para o líder é de seis já parecem completamente diferentes.

Flamengo 1 x 1 São Paulo: novamente a vantagem desaparece

O São Paulo voltou a aparecer no caminho rubro-negro no segundo turno.

Em 26 de julho, no Maracanã, o Flamengo abriu o placar com Léo Pereira aos 11 minutos do segundo tempo.

O Rubro-Negro chegou a ter oportunidades para ampliar.

Mas, aos 24 minutos, Calleri empatou de cabeça.

O Flamengo ainda tentou reagir.

Nos acréscimos, Samuel Lino chegou a colocar a bola na rede, mas o lance foi anulado pelo VAR por impedimento na origem da jogada.

Mais um empate.

Mais uma partida na qual o Flamengo esteve em vantagem e não conseguiu conservar o resultado.

Pontos deixados após abrir vantagem: 2.

Acumulado: 9 pontos.

Curiosamente, o São Paulo foi responsável por cinco dos 12 pontos do levantamento.

Na primeira partida, virou e venceu.

Na segunda, buscou o empate.

Cruzeiro 2 x 1 Flamengo: o caso mais recente

O quinto jogo aconteceu justamente na última rodada.

Contra o Cruzeiro, no Mineirão, Pedro colocou o Flamengo em vantagem ainda no primeiro tempo.

Era exatamente o tipo de partida em que administrar o resultado poderia representar um passo enorme na disputa pela liderança.

O Cruzeiro, porém, reagiu.

Arroyo empatou no segundo tempo.

E, aos 49 minutos, Matheus Pereira marcou o gol da virada.

O Flamengo voltou para o Rio sem pontuar.

Pontos deixados após abrir vantagem: 3.

E assim chegamos ao número final.

A conta do Fla Opina

São Paulo 2 x 1 Flamengo — 3 pontos

Flamengo abriu 1 a 0 e perdeu por 2 a 1.

Corinthians 1 x 1 Flamengo — 2 pontos

Flamengo abriu 1 a 0 e terminou empatado.

Flamengo 2 x 2 Vasco — 2 pontos

Flamengo abriu 2 a 0 e sofreu o empate.

Flamengo 1 x 1 São Paulo — 2 pontos

Flamengo abriu 1 a 0 e terminou empatado.

Cruzeiro 2 x 1 Flamengo — 3 pontos

Flamengo abriu 1 a 0 e sofreu a virada.

Total: 12 pontos.

É um número enorme.

Principalmente quando colocado ao lado da classificação atual.

O que significariam 12 pontos?

O Flamengo possui atualmente 45 pontos.

Em um exercício puramente matemático, caso tivesse transformado essas cinco vantagens em cinco vitórias, teria somado mais 12 e chegado a 57 pontos.

O Palmeiras tem 51.

Novamente: isso não significa afirmar que o Flamengo "deveria estar com 57" ou que esse seria necessariamente o cenário real do campeonato.

A intenção do levantamento é outra.

É mostrar a dimensão dos pontos que escaparam depois que o Flamengo já havia conseguido fazer aquilo que normalmente é mais difícil em uma partida: sair na frente.

O problema não foi apenas encontrar o gol.

Foi conservar a vantagem.

Nove dos 12 pontos escaparam com Leonardo Jardim

Existe outro recorte interessante.

Dos cinco jogos do levantamento, apenas a derrota para o São Paulo na primeira rodada aconteceu antes da chegada de Leonardo Jardim.

Os outros quatro ocorreram sob o comando do português.

São:

Corinthians;

Vasco;

São Paulo;

Cruzeiro.

Somados, representam nove pontos desperdiçados após o Flamengo assumir a liderança do placar durante a era Jardim.

Isso não significa que todos tenham a mesma explicação.

Contra o Corinthians, por exemplo, houve a expulsão de Evertton Araújo.

Contra o Vasco, o Flamengo tinha dois gols de vantagem.

Contra o São Paulo, sofreu um gol de cabeça depois de abrir o placar.

Contra o Cruzeiro, acabou levando a virada nos acréscimos.

São contextos diferentes.

Mas a repetição chama atenção.

Jardim falou justamente sobre administrar vantagens

Depois da derrota para o Cruzeiro, Leonardo Jardim voltou a tocar em um ponto que se conecta diretamente com o levantamento.

O treinador criticou perdas de bola e a forma como o Flamengo administrou determinados momentos da partida.

O desafio não está apenas em atacar mais ou criar mais.

Em um campeonato de pontos corridos, saber controlar partidas quando o placar está favorável pode ser tão importante quanto construir a vantagem.

Nem sempre é necessário marcar três, quatro ou cinco gols.

Às vezes, proteger o 1 a 0 vale exatamente os mesmos três pontos.

E é justamente nesse aspecto que o Flamengo deixou escapar uma quantidade relevante de pontos nesta temporada.

A diferença para o líder ganha outra dimensão

Hoje, Palmeiras e Flamengo estão separados por seis pontos.

O Palmeiras tem 51.

O Flamengo, 45.

O levantamento do Fla Opina aponta 12 pontos perdidos depois que o Rubro-Negro esteve em vantagem.

Ou seja: o número é equivalente ao dobro da distância atual entre os dois principais candidatos ao título.

Isso não diminui os méritos do Palmeiras.

Também não transforma automaticamente empates e derrotas em vitórias imaginárias.

Mas mostra que parte importante da distância construída na classificação também nasceu da incapacidade rubro-negra de fechar partidas que estavam favoráveis.

É aí que o dado deixa de ser apenas estatístico.

Ele passa a ajudar a explicar o campeonato.