A imagem chamou atenção antes mesmo de a bola rolar: Marcos Lamacchia, principal interessado na aquisição da SAF do Vasco, apareceu vestindo a camisa cruz-maltina e circulando ao lado de dirigentes do clube antes da partida contra o Palmeiras.

A presença do empresário ganhou ainda mais repercussão porque Lamacchia já fala publicamente sobre o futuro do Vasco.

Ao comentar a negociação, afirmou que aguarda a liberação da Justiça para que o processo competitivo possa avançar e para que seja possível iniciar a transformação projetada para o clube.

Mas existe uma diferença importante entre a imagem vista pelos torcedores e a realidade jurídica:

Marcos Lamacchia ainda não comprou a SAF do Vasco.

Negócio ainda depende da Justiça

A Almirante Participações, empresa ligada a Lamacchia, apresentou uma proposta concreta que deverá servir como referência mínima para um processo competitivo.

Para que isso aconteça, porém, é necessária a autorização da Justiça no âmbito da recuperação judicial do Vasco.

Quando o processo for aberto, outros investidores poderão apresentar propostas superiores.

Caso isso aconteça, Lamacchia terá o direito de igualar a melhor oferta.

Se sua proposta for declarada vencedora, ainda existirão outras etapas, entre elas a homologação da operação e a passagem pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral do Vasco para a constituição da nova SAF.

Ou seja: há um acordo avançado e um investidor claramente interessado, mas ainda não existe venda concluída.

Operação pode superar R$ 3 bilhões

Os números apresentados pela representação de Lamacchia ajudam a dimensionar o tamanho do negócio.

A proposta prevê:

R$ 500 milhões destinados ao futebol; R$ 150 milhões para o centro de treinamento; pagamento de aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas concursais e extraconcursais; cobertura do déficit de caixa do Vasco pelos próximos cinco anos, hoje calculado em aproximadamente R$ 300 milhões anuais.

Somadas essas obrigações, Vasco e representantes do investidor estimam que a operação ultrapasse R$ 3 bilhões.

É importante destacar que esse número não representa simplesmente um cheque de R$ 3 bilhões pela compra das ações. O cálculo reúne investimentos, cobertura de déficits e compromissos financeiros assumidos ao longo dos próximos anos.

Lamacchia já se aproxima dos bastidores

A ida ao jogo contra o Palmeiras foi além de uma simples aparição na arquibancada.

Lamacchia esteve com membros da direção vascaína, visitou o vestiário e apareceu no gramado ao lado de Admar Lopes, diretor executivo de futebol do Vasco, além de Leila Pereira.

A proximidade pública acontece justamente enquanto a negociação atravessa sua fase judicial.

Admar Lopes possui longa trajetória no futebol europeu e trabalhou em clubes como Porto, Monaco e Lille. Antes do Vasco, integrou a estrutura esportiva do Bordeaux entre 2021 e 2025, período em que o tradicional clube francês atravessou uma gravíssima crise financeira, entrou em recuperação judicial e perdeu o status profissional.

O Bordeaux já enfrentava problemas financeiros anteriores à chegada do dirigente e seu colapso envolveu diferentes administrações e fatores acumulados ao longo dos anos.

Flamengo acompanha a operação

A situação também ultrapassou os limites de São Januário.

O Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol para pedir uma análise sobre aspectos financeiros envolvendo o Vasco e também levantou questionamentos relacionados à futura configuração da SAF.

O presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vem fazendo críticas públicas à situação financeira do rival.

Do outro lado, o presidente vascaíno Pedrinho respondeu às declarações e defendeu o modelo escolhido pelo clube.

A ligação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira também alimentou discussões públicas, embora a presidente do Palmeiras não participe oficialmente da negociação pela SAF.

O próximo movimento acontece fora de campo

Para o torcedor vascaíno, as imagens de Lamacchia com a camisa podem transmitir a sensação de que a mudança de controle já está definida.

Ainda não está.

O momento decisivo agora acontece na Justiça.

A autorização para abertura do processo competitivo transformará a proposta apresentada por Lamacchia na referência para eventuais concorrentes.

Somente depois de concluídas essas etapas será possível saber se ele realmente se tornará o controlador da nova SAF vascaína.