Mudanças nas regras do futebol. Mudanças que chegam para beneficiar quem quer jogar bola, quem quer propor o jogo e quem quer ver a bola rolando.

A tendência é clara: a cera vai perder espaço. O futebol quer mais dinamismo, menos paralisações e menos artifícios para simplesmente matar o tempo de uma partida.

E, nesse cenário, o Flamengo pode sair beneficiado.

O Rubro-Negro é hoje o time com a maior média de bola rolando por partida no Campeonato Brasileiro. É uma equipe que, normalmente, quer ter a posse, pressionar, atacar e propor o jogo. Enquanto isso, sabemos que muitos adversários, principalmente quando conseguem um resultado favorável, tentam esfriar a partida.

É goleiro demorando uma eternidade para repor a bola. É jogador andando para cobrar lateral. É substituição que parece despedida de fim de carreira. É atendimento médico que, muitas vezes, quebra completamente o ritmo de quem está pressionando.

Agora, esse espaço para a cera vai diminuir.

No lateral, quando o árbitro identificar atraso deliberado, haverá uma contagem de cinco segundos. Demorou além do permitido? A posse poderá passar para o adversário.

No tiro de meta, a lógica será semelhante: identificado o atraso proposital, começa a contagem. O goleiro vai precisar colocar a bola rapidamente em jogo.

Na substituição, serão dez segundos para o jogador deixar o campo. E não existe mais aquela caminhada atravessando o gramado inteiro para gastar tempo. A orientação é sair pelo ponto mais próximo.

E tem uma mudança que pode mexer muito com o comportamento dos jogadores: o atendimento médico. Quem precisar ser atendido dentro de campo, salvo as exceções previstas na regra, deverá permanecer um minuto fora depois do reinício da partida.

Ou seja: antes de tentar transformar qualquer contato em uma paralisação de dois ou três minutos, o jogador vai pensar duas vezes. Porque sua equipe pode ficar temporariamente com um homem a menos.

E o goleiro também está no centro desse combate à cera. Com a bola controlada nas mãos, existe o limite de oito segundos. Passou desse tempo, a punição pode ser um escanteio para o adversário.

Isso muda comportamento. Isso muda estratégia. E isso muda o jogo.

O futebol brasileiro precisa disso.

Nós ainda temos partidas com tempo de bola rolando muito abaixo de grandes campeonatos do futebol mundial. O torcedor compra ingresso, paga televisão, acompanha noventa minutos de partida e, muitas vezes, assiste a uma quantidade enorme desse tempo sendo desperdiçada com paralisações.

A proposta agora é outra: mais futebol e menos teatro. Mais bola rolando e menos relógio sendo queimado.

E olha o dado interessante: o Flamengo já está acima da própria meta de tempo de bola rolando que a CBF pretende alcançar para o Campeonato Brasileiro.

Por isso, eu vejo essas mudanças com muito bons olhos.

Não significa que o Flamengo vai ganhar porque a regra mudou. Futebol não funciona assim. Mas, quando você diminui os mecanismos utilizados para quebrar o ritmo da partida, naturalmente cria um ambiente melhor para quem quer jogar.

E o Flamengo quer jogo.

Então, para o Flamengo, pode ser excelente. Para o futebol brasileiro, melhor ainda. E para o torcedor, que é quem realmente merece assistir a uma partida com intensidade, dinâmica e bola no chão, é uma mudança mais do que necessária.

A cera não vai desaparecer. Mas vai ficar muito mais difícil transformar um jogo de futebol em uma competição para ver quem consegue fazer o relógio andar mais rápido.

Mudanças são sempre bem-vindas quando chegam para melhorar o espetáculo.

Mais bola rolando. Menos cera. Que vença quem jogar mais futebol.