Pedro não precisou marcar para ser um dos personagens da classificação do Flamengo às quartas de final da Libertadores.

Escolhido por Leonardo Jardim para começar como titular na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, na quarta-feira (19), no Maracanã, o camisa 9 participou diretamente dos dois gols rubro-negros. Deu as assistências para Arrascaeta, no primeiro tempo, e Samuel Lino, na etapa final.

Mais importante do que os números foi o contexto da escolha.

Depois da partida, Jardim revelou que a presença de Pedro entre os titulares havia sido planejada estrategicamente. O treinador projetava um Flamengo com maior posse de bola, mais construção ofensiva e mais presença no campo do Cruzeiro.

Não foi, portanto, uma escalação provocada pela indisponibilidade de Bruno Henrique.

O próprio treinador afirmou que Bruno Henrique estava totalmente disponível para a decisão. A opção por Pedro foi técnica e tática.

— Foi uma opção estratégica — explicou Jardim ao comentar a escalação.

A decisão funcionou.

Jardim esperava um Flamengo com mais posse

Leonardo Jardim explicou que um dos fatores utilizados para definir seu centroavante é a maneira como imagina o desenvolvimento da partida.

Quando espera um Flamengo com maior domínio territorial, circulação de bola e construção ofensiva, Pedro oferece características específicas.

O camisa 9 consegue atuar como referência dentro da área, mas também recua para participar das combinações, fazer o pivô e criar espaços para os jogadores que chegam de trás.

Foi exatamente o que aconteceu diante do Cruzeiro.

No primeiro gol, Pedro recebeu de costas, protegeu a bola e encontrou Arrascaeta chegando no espaço. O uruguaio finalizou para abrir o placar.

Na segunda etapa, depois de o Cruzeiro empatar com Lucas Romero e crescer na partida, o centroavante voltou a participar da construção. Pedro serviu Samuel Lino, que marcou o segundo gol e recolocou o Flamengo em vantagem.

Duas assistências em uma noite na qual o principal atacante do elenco mostrou que pode influenciar uma partida mesmo sem balançar as redes.

Pedro era titular pela segunda vez nesta Libertadores

A oportunidade também ganhou peso por outro motivo.

Pedro começou uma partida como titular nesta Libertadores apenas pela segunda vez.

Antes do confronto decisivo contra o Cruzeiro, sua única presença entre os onze iniciais havia ocorrido diante do Estudiantes, ainda na fase de grupos. Naquela ocasião, o atacante marcou o gol da vitória rubro-negra por 1 a 0.

Nos demais compromissos continentais, começou no banco e recebeu diferentes quantidades de minutos durante as partidas.

Contra o Cruzeiro, Jardim tomou uma decisão diferente justamente em um dos jogos mais importantes da temporada.

E Pedro respondeu.

Léo Ortiz explica diferença entre Pedro e Bruno Henrique

A disputa entre Pedro e Bruno Henrique pelo comando do ataque não significa necessariamente que um deles tenha perdido definitivamente a posição.

Depois da classificação, Léo Ortiz explicou as diferenças que os dois oferecem ao Flamengo.

Pedro tem maior capacidade de realizar o pivô, recuar para buscar a bola e participar da organização ofensiva. Em determinadas situações, segundo o zagueiro, consegue atuar quase como um meia na construção.

Isso favorece especialmente jogadores como Samuel Lino e Gonzalo Plata, que podem atacar os espaços deixados pelo movimento do centroavante.

Bruno Henrique apresenta características diferentes.

É um atacante de maior agressividade atacando a profundidade e também oferece intensidade específica na pressão sobre a saída de bola adversária.

Para Léo Ortiz, o Flamengo acaba sendo beneficiado justamente por possuir duas opções de alto nível e perfis distintos para a mesma função.

Pressão também chamou atenção de Jardim

Uma discussão recorrente em torno da utilização de Pedro envolve sua participação sem a bola.

Leonardo Jardim, porém, destacou justamente esse aspecto depois da vitória.

O treinador lembrou que existiam dúvidas externas sobre a capacidade de Pedro e Arrascaeta participarem de uma pressão mais agressiva, mas considerou que a atuação diante do Cruzeiro mostrou ser possível manter intensidade mesmo com ambos em campo.

O Flamengo realizou um primeiro tempo de enorme superioridade.

A equipe pressionou alto, recuperou bolas no campo ofensivo e impediu o Cruzeiro de desenvolver seu jogo durante longos períodos.

Para Jardim, o desempenho coletivo comprovou que características técnicas e intensidade não precisam ser excludentes.

Boa atuação confirma momento de ascensão

A partida contra o Cruzeiro também não aparece de forma isolada na temporada de Pedro.

No fim de semana anterior, o atacante havia marcado dois gols na goleada sobre o Mirassol pelo Campeonato Brasileiro.

Com os gols, chegou a 14 no Brasileirão e alcançou a liderança da artilharia da competição ao lado de Viveros, do Athletico-PR.

Em poucos dias, portanto, Pedro entregou dois tipos diferentes de atuação.

Contra o Mirassol, apareceu como finalizador.

Contra o Cruzeiro, virou garçom.

Essa variedade ajuda a explicar por que sua utilização voltou ao centro da discussão no Flamengo.

Escolha não significa hierarquia definitiva

Apesar da grande atuação, seria precipitado afirmar que Leonardo Jardim estabeleceu Pedro definitivamente como titular absoluto.

O próprio discurso do treinador aponta para uma lógica diferente.

Jardim vem tratando o elenco de acordo com as características exigidas por cada adversário e por cada partida. Contra o Cruzeiro, entendeu que Pedro era a opção mais adequada porque projetava maior volume ofensivo e mais posse de bola.

Em outro contexto, Bruno Henrique pode oferecer as características consideradas mais úteis.

O fato objetivo, porém, é que Pedro recebeu uma das oportunidades mais importantes desde a chegada do treinador e respondeu diretamente dentro de campo.