Richarlison vive um daqueles momentos em que uma escolha pode mudar completamente o rumo da carreira.

Aos 29 anos, o atacante brasileiro ficou fora da lista de 25 jogadores inscritos pelo Tottenham para a Premier League de 2026/27. A relação divulgada oficialmente pelo clube nesta semana não inclui o camisa 9, sinal claro de que ele deixou de fazer parte dos planos imediatos para o campeonato inglês.

A decisão chama atenção não apenas pelo peso do nome.

Richarlison foi o principal artilheiro do Tottenham na Premier League na temporada passada, com 11 gols, e terminou 2025/26 com 12 gols em 43 partidas pelo clube.

Ou seja: não estamos falando de um jogador que simplesmente desapareceu esportivamente.

Estamos falando de um atacante que ainda produziu, mas chegou a um ponto de ruptura com o clube.

O fim de um ciclo parece cada vez mais próximo

Richarlison chegou ao Tottenham em julho de 2022 depois de quatro temporadas no Everton.

A transferência custou aproximadamente £50 milhões e representava um salto importante na carreira do brasileiro. Desde então, acumulou 134 partidas e 32 gols pelo clube londrino.

Houve bons momentos.

Houve lesões.

Houve períodos de perda de espaço.

E houve também recuperação.

Na última temporada, por exemplo, voltou a ter participação importante e terminou como principal goleador do Tottenham na Premier League.

Mesmo assim, o relacionamento com o clube chegou a um ponto difícil.

O técnico Roberto De Zerbi afirmou recentemente que Richarlison manifestou mais de uma vez o desejo de deixar o Tottenham. O atacante também recusou uma proposta de renovação, e passou a treinar separado do restante do elenco principal.

A exclusão da lista da Premier League transforma uma situação de mercado em algo muito mais concreto.

Richarlison precisa sair.

Ou corre o risco de passar meses praticamente sem espaço competitivo no principal torneio do clube.

O Everton esteve novamente no caminho

O destino preferido do brasileiro parecia ser conhecido.

Richarlison falou publicamente sobre o desejo de retornar ao Everton, clube onde viveu uma das melhores fases da carreira.

Foram 53 gols em 153 partidas pelos Toffees antes da transferência para Londres.

O retorno, porém, não aconteceu.

As negociações não avançaram como o jogador esperava, e o atacante chegou a fazer um desabafo público sobre a condução do próprio futuro.

Isso abriu espaço para outros mercados.

Turquia surge como alternativa

O Trabzonspor entrou forte na disputa.

O clube turco demonstrou interesse, e negociações avançaram nos últimos dias. O próprio Tottenham estava disposto a discutir a saída, embora houvesse diferença entre a avaliação financeira inglesa e as propostas apresentadas.

A Turquia representa uma solução esportiva imediata.

Mas também representa uma decisão delicada.

Richarlison ainda está em idade competitiva.

Ainda tem mercado.

Ainda possui relevância internacional.

E escolher agora um campeonato de menor exposição pode mudar a forma como será visto nos próximos anos.

Por outro lado, permanecer no Tottenham sem jogar pode ser ainda pior.

É essa combinação que transforma a situação numa verdadeira encruzilhada.

Richarlison ainda tem números de jogador importante

Talvez seja fácil olhar apenas para as dificuldades recentes e esquecer o tamanho da carreira construída pelo brasileiro.

Richarlison chegou a 100 participações diretas em gols na Premier League em março: 73 gols e 27 assistências.

Naquele momento, tornou-se apenas o terceiro brasileiro a atingir a marca, atrás de Roberto Firmino e Gabriel Jesus.

Pela Seleção Brasileira, soma 54 partidas e 20 gols.

Foi campeão da Copa América de 2019.

Foi artilheiro do torneio olímpico conquistado pelo Brasil em Tóquio.

E chegou à Copa do Mundo de 2022 como camisa 9 da Seleção, marcando inclusive um dos gols mais lembrados daquele Mundial.

Esse histórico faz com que o momento atual pareça ainda mais importante.

Richarlison não está tentando começar uma carreira.

Está tentando evitar que ela entre em declínio antes da hora.

A Seleção também entra nessa conta

Há ainda outro fator.

O Brasil iniciou um novo ciclo depois da Copa do Mundo de 2026, e Carlo Ancelotti prepara nova convocação para setembro.

Para um jogador de 29 anos, ficar meses sem sequência em clube europeu pode custar espaço justamente no momento em que a Seleção começa a se reorganizar.

Richarlison já demonstrou em outros momentos que a Seleção pesa bastante em suas decisões de carreira.

Por isso, a próxima escolha não será apenas financeira.

Precisa ser esportiva.

Precisa oferecer minutos.

Precisa oferecer protagonismo.

E precisa permitir que ele continue relevante em alto nível.

Europa, retorno ou novo mercado?

O cenário agora abre várias possibilidades.

Uma transferência para a Turquia permite continuidade imediata.

Um retorno futuro ao Everton manteria Richarlison num ambiente que ele conhece e onde já foi protagonista.

Outro mercado europeu poderia oferecer um recomeço.

E o Brasil, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente aparecerá nas especulações.

Mas o momento pede uma decisão menos emocional e mais estratégica.

Aos 29 anos, Richarlison provavelmente ainda tem algumas temporadas em alto nível.

Só que a margem para errar diminuiu.

Uma escolha errada agora pode transformar um período difícil no começo do fim.

Uma escolha certa pode recolocar o atacante no centro do futebol europeu e novamente no radar principal da Seleção.