A polêmica envolvendo a entrada de Matheus Henrique em Bruno Henrique no empate entre Cruzeiro e Flamengo ganhou um novo componente nesta quinta-feira. O árbitro de vídeo da partida no Mineirão foi o argentino Hector Paletta, o mesmo profissional que trabalhou no VAR da final da Libertadores de 2025 entre Flamengo e Palmeiras.

No duelo desta quarta-feira, Matheus Henrique chegou atrasado em uma disputa aos 10 minutos do primeiro tempo e atingiu Bruno Henrique com a sola da chuteira. O árbitro Yael Falcón Pérez mostrou cartão amarelo ao jogador do Cruzeiro. O lance foi checado pela cabine do VAR, mas Hector Paletta entendeu que não havia necessidade de recomendar uma revisão no monitor.

A decisão provocou reclamação do lado rubro-negro. Bruno Henrique deixou o Mineirão sentindo muitas dores no tornozelo esquerdo e questionou publicamente a ausência de uma revisão. O atacante relatou que recebeu a explicação de que a entrada não teria intensidade suficiente para justificar uma punição maior.

A repercussão aumentou porque Matheus Henrique também comentou a jogada depois da partida. O volante do Cruzeiro reconheceu que ficou com receio de ser expulso quando percebeu a forma como havia atingido o adversário. Mesmo assim, o cartão amarelo foi mantido.

Como já estava pendurado, Matheus Henrique está suspenso para o confronto de volta no Maracanã. O Flamengo, por outro lado, acompanha a situação física de Bruno Henrique, que permaneceu sentindo dores no dia seguinte ao jogo.

Hector Paletta também esteve na final de 2025

A coincidência chamou atenção porque Hector Paletta também comandou o VAR na decisão da Libertadores de 2025, disputada por Flamengo e Palmeiras no Monumental de Lima. Naquela partida, vencida pelo Flamengo por 1 a 0, dois lances de possível cartão vermelho também geraram discussão.

O primeiro envolveu Raphael Veiga e Carrascal. O jogador do Palmeiras levantou a perna em uma disputa e atingiu a canela do atleta rubro-negro com a sola da chuteira. O VAR não recomendou revisão no monitor.

Na avaliação feita posteriormente por Paulo Cesar de Oliveira, comentarista de arbitragem do Grupo Globo, a decisão de não expulsar Raphael Veiga foi considerada correta. O entendimento foi de que, apesar do contato, a jogada não reunia elementos suficientes para justificar o vermelho.

Pouco depois, outra situação gerou ainda mais controvérsia. Com o jogo parado, Pulgar se envolveu em uma confusão após disputa de Bruno Fuchs com Arrascaeta e atingiu a canela do zagueiro palmeirense.

Novamente, Hector Paletta não recomendou revisão ao árbitro principal.

Desta vez, a avaliação de Paulo Cesar de Oliveira foi diferente. Para o ex-árbitro, Pulgar deveria ter sido expulso pela reação contra Bruno Fuchs. A jogada passou a ser lembrada pelo Palmeiras após a derrota na final e voltou a aparecer em discussões posteriores sobre arbitragem.

Três lances e nenhuma revisão no monitor

O ponto em comum entre os episódios está justamente na atuação do VAR. Nos três lances destacados — Raphael Veiga em Carrascal, Pulgar em Bruno Fuchs e Matheus Henrique em Bruno Henrique — Hector Paletta estava na cabine e não considerou necessária uma revisão de campo.

Isso não significa que as três jogadas sejam idênticas. Cada lance precisa ser analisado de acordo com intensidade, ponto de contato, movimento do jogador e contexto.

Ainda assim, a presença do mesmo árbitro de vídeo em decisões importantes envolvendo o Flamengo naturalmente aumenta a repercussão.

No Mineirão, o debate ganhou ainda mais força pelo estado em que Bruno Henrique deixou o estádio. O atacante voltou ao Rio de Janeiro mancando e continuou sentindo dores nesta quinta-feira. O departamento médico rubro-negro acompanha a evolução do tornozelo.

Ex-árbitros ouvidos pelo UOL também analisaram a entrada de Matheus Henrique. A maioria dos especialistas consultados entendeu que o jogador do Cruzeiro deveria ter recebido cartão vermelho, principalmente pelo contato da sola da chuteira na região do tornozelo e da canela de Bruno Henrique.

Houve, porém, opinião favorável à manutenção do cartão amarelo. A divergência mostra novamente como a interpretação de lances desse tipo continua provocando discussão mesmo com a utilização da tecnologia.

Flamengo terá decisão no Maracanã

Apesar da forte repercussão da arbitragem, Flamengo e Cruzeiro precisam voltar a atenção para o segundo jogo. O empate por 1 a 1 no Mineirão deixou a eliminatória completamente aberta para a próxima quarta-feira, no Maracanã.

Quem vencer estará classificado para as quartas de final da Libertadores. Em caso de novo empate, independentemente do placar, a vaga será decidida nos pênaltis.

Matheus Henrique não estará à disposição do Cruzeiro porque recebeu o terceiro cartão amarelo na competição. Já Bruno Henrique continua sob acompanhamento do departamento médico depois das dores causadas justamente pelo lance que originou toda a polêmica.

Para o Flamengo, o objetivo será usar o fator casa e buscar a classificação. Ao mesmo tempo, o episódio do Mineirão mantém aberto um debate sobre os critérios adotados pelo VAR em situações de possível expulsão.