O Vasco fez um alerta preocupante sobre sua situação financeira. Em petição apresentada à Justiça, o clube pediu autorização para contratar um novo financiamento de até R$ 150 milhões e afirmou que os recursos atualmente disponíveis na SAF podem se esgotar até o fim da próxima semana.

O pedido foi apresentado em meio ao processo de recuperação judicial e coloca números concretos sobre a dificuldade de caixa enfrentada pelo clube carioca. O dinheiro seria disponibilizado pela Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada a Marcos Faria Lamacchia, empresário que aparece como principal interessado na aquisição da SAF vascaína.

A operação seria realizada na modalidade DIP, mecanismo utilizado para financiar empresas que atravessam processos de recuperação judicial. Como o Vasco está submetido a esse regime, a liberação do dinheiro depende de autorização da Justiça e da manifestação dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento do processo.

Vasco fala em urgência

A situação apresentada pelo clube é considerada urgente.

Na documentação encaminhada à Justiça, a SAF sustenta que os recursos disponíveis podem terminar até o fim da próxima semana. A preocupação não envolve somente o pagamento das despesas correntes, mas também a capacidade de manter a competitividade esportiva durante a temporada.

Segundo a petição, a falta de dinheiro pode provocar deterioração dos ativos da empresa, perda de competitividade e até aumentar o risco esportivo. O Vasco argumenta que uma situação desse tipo também poderia reduzir o valor da própria SAF justamente no momento em que tenta encontrar um novo controlador.

O pedido atual representa um salto importante em relação ao que vinha sendo discutido anteriormente.

Na quinta-feira, havia sido revelado que o clube planejava buscar aproximadamente R$ 120 milhões em novo financiamento. A solicitação efetivamente apresentada à Justiça, porém, prevê autorização para uma operação de até R$ 150 milhões.

Lamacchia já colocou R$ 40 milhões no Vasco

Esta não é a primeira operação entre o Vasco e a empresa de Marcos Lamacchia.

Em julho, a Justiça autorizou um empréstimo DIP de R$ 40 milhões da Almirante Participações para o clube. A operação foi estruturada sem juros remuneratórios e o valor poderá ser descontado de futuros investimentos caso Lamacchia conclua a compra da SAF.

Antes disso, em outubro de 2025, o Vasco já havia obtido outro financiamento DIP, desta vez de R$ 80 milhões junto à Crefisa, empresa pertencente à família Lamacchia.

A dependência de capital externo ganhou destaque recentemente. Relatório da administração judicial mostrou que o Vasco iniciou junho com cerca de R$ 20 milhões disponíveis e terminou o mês com apenas R$ 9 milhões em caixa. Esse dinheiro foi utilizado no começo de julho, o que ajudou a explicar a necessidade do empréstimo de R$ 40 milhões posteriormente autorizado.

O próprio relatório apontou forte pressão sobre o fluxo operacional e elevada dependência de recursos externos para manutenção das atividades.

Venda da SAF está no centro do cenário

Ao mesmo tempo em que tenta resolver suas necessidades imediatas, o Vasco avança no processo para encontrar um novo controlador para sua SAF.

A Almirante Participações é tratada atualmente como favorita para adquirir o controle. Marcos Lamacchia possui cláusulas de preferência que permitem cobrir eventuais propostas concorrentes, mas a legislação e o processo de recuperação impedem que o Vasco simplesmente transfira a SAF diretamente ao empresário sem cumprir as etapas necessárias.

Por isso, os empréstimos e a eventual aquisição são assuntos relacionados, mas não são a mesma operação.

O dinheiro solicitado agora tem como objetivo fornecer liquidez enquanto a definição do futuro societário ainda não acontece. Se Lamacchia efetivamente assumir o controle, parte dos recursos colocados anteriormente poderá ser incorporada à estrutura financeira prevista no negócio.

O caso também ganhou dimensão nacional pela relação familiar de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Marcos é filho de José Roberto Lamacchia e enteado de Leila.

Como o Fla Opina mostrou anteriormente, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol da CBF já recebeu documentos sobre o pré-acordo e analisa a estrutura da possível aquisição sob as regras de multipropriedade e Fair Play.

Dinheiro também mira competitividade

O momento esportivo torna a discussão financeira ainda mais sensível.

Na petição, o próprio Vasco relaciona a necessidade de novos recursos à manutenção da competitividade e à atual janela de transferências. Para uma equipe que precisa administrar salários, compromissos assumidos, reforços e despesas operacionais, uma redução abrupta de liquidez pode afetar diretamente o planejamento do futebol.

É justamente por isso que a diretoria tenta obter uma autorização com valor significativamente maior do que os R$ 40 milhões liberados em julho.

O financiamento anterior serviu como alívio imediato. A nova solicitação, de até R$ 150 milhões, mostra que o clube busca construir uma ponte financeira mais longa enquanto tenta concluir o processo envolvendo sua SAF.

Mesmo com o pedido, porém, o dinheiro não está automaticamente disponível. A contratação depende do aval judicial e das manifestações previstas dentro da recuperação.

Um clube dependente do próximo aporte

Os números recentes deixam evidente como o equilíbrio financeiro do Vasco continua frágil.

Em pouco mais de dez meses, o clube recorreu a um DIP de R$ 80 milhões da Crefisa, depois a outros R$ 40 milhões da Almirante Participações e agora busca autorização para uma nova operação que pode chegar a R$ 150 milhões.

Isso significa que, considerados os limites das três operações, o volume de financiamentos relacionados a esse processo pode alcançar R$ 270 milhões.

O novo pedido acontece justamente enquanto a venda da SAF avança, aumentando ainda mais a importância de uma solução definitiva para o controle e o financiamento do futebol vascaíno.