Luiz Eduardo Baptista, o BAP, voltou a falar sobre o futuro estádio do Flamengo e apresentou um cenário muito mais distante daquele discutido durante a campanha presidencial de 2024.

Em entrevista ao podcast Sports Market Makers, o presidente afirmou que o clube precisaria manter um elenco competitivo, alcançar receitas próximas de R$ 2 bilhões e gerar um excedente que permitisse guardar aproximadamente R$ 150 milhões por ano para o estádio.

Segundo o próprio BAP, considerando um custo estimado de R$ 3 bilhões, o Flamengo levaria 20 anos para acumular o dinheiro necessário. Com a capitalização dos recursos, esse período poderia cair para aproximadamente 14 ou 15 anos. O dirigente também lembrou que o clube ainda tem cerca de 18 anos e meio de concessão do Maracanã.

A declaração representa uma mudança importante em relação ao discurso apresentado por BAP antes de ser eleito.

Em entrevista concedida durante a campanha, o então candidato afirmou que o estádio era um sonho de todos os rubro-negros e garantiu que o clube construiria a sua própria casa. Na ocasião, apresentou um plano baseado no aumento de 50% das receitas e da rentabilidade do Flamengo.

BAP afirmou que, caso esse crescimento fosse alcançado, o clube poderia fazer o estádio em seis anos, com um nível confortável de endividamento e sem comprometer o desempenho esportivo.

Cerca de um ano e oito meses depois da eleição, o horizonte de seis anos deu lugar a uma projeção que pode chegar a duas décadas.

A gestão escolheu uma prioridade

É evidente que o Flamengo não pode abandonar o futebol, deixar de contratar jogadores ou montar um elenco sem condições de disputar títulos apenas para acelerar a construção do estádio. Além dos elevados investimentos em contratações, a torcida precisa saber quais medidas concretas estão sendo tomadas para que o estádio saia do papel. Existe um fundo específico para o projeto?

Há um cronograma atualizado? Quanto será reservado anualmente? Sem respostas objetivas e ações verificáveis, o estádio corre o risco de continuar apenas como promessa.

O Flamengo pode preservar a competitividade do elenco e, ao mesmo tempo, iniciar uma política financeira destinada à construção da sua futura casa.

Também seria irresponsável afirmar que o valor gasto em uma ou duas contratações seria suficiente para financiar sozinho uma obra estimada em R$ 3 bilhões.

Mas esse não é o centro da discussão.

A verdadeira questão é a escolha das prioridades e a maneira como o dinheiro do clube está sendo administrado.

A gestão de BAP ultrapassou a marca de R$ 902 milhões em contratações. É justo registrar que o Flamengo também contabilizou aproximadamente R$ 595 milhões em vendas de jogadores no período, mas o volume bruto investido no elenco continua sendo histórico.

Somente a operação envolvendo o retorno de Lucas Paquetá foi contabilizada em R$ 315,669 milhões. O valor inclui R$ 299,059 milhões em direitos e luvas e outros R$ 16,610 milhões em intermediação.

Esse montante representa mais de dois anos da reserva anual de R$ 150 milhões que BAP diz ser necessária para iniciar a capitalização destinada ao estádio.

Isso não significa que o Flamengo deveria ter deixado de contratar Paquetá para depositar todo o dinheiro numa conta bancária. Significa que as decisões financeiras precisam ser analisadas em conjunto.