Boto volta ao Brasil e põe limite por Thiago Almada

José Boto retornou ao Brasil na madrugada desta terça-feira, 4 de agosto, após viajar à Argentina para tratar diretamente da negociação entre Flamengo e Thiago Almada. No desembarque no Aeroporto Internacional do Galeão, o diretor de futebol confirmou que o clube continua interessado no meia, mas garantiu que não participará de um leilão para contratá-lo.

A viagem de Boto teve como principal objetivo uma reunião com Agustín Jiménez, empresário de Almada. O dirigente esteve na Argentina durante a investida final do Flamengo, que tenta impedir que o retorno do River Plate à disputa provoque um aumento nos valores inicialmente negociados.

Segundo Boto, ele não foi ao país vizinho para convencer o jogador a defender o Flamengo. O diretor argumentou que Almada já conhece o futebol brasileiro e sabe a dimensão do clube rubro-negro.

“O motivo da minha ida à Argentina não foi convencer o Almada, porque isso seria estúpido da parte do Almada se eu tivesse que ir para convencê-lo. Ele jogou aqui seis meses e sabe da grandeza do Flamengo.”

Flamengo não mudará as condições apresentadas

A mensagem levada por José Boto ao representante do jogador foi de que o Flamengo não pretende alterar as condições que já haviam sido apresentadas durante as conversas.

“Aquilo que eu fui lá dizer é que nós não entraríamos em leilões. Aquilo que já tínhamos combinado é aquilo que vai ser, se ele quiser vir para o Flamengo.”

O River Plate voltou à negociação após o Flamengo demonstrar otimismo com a possível contratação. Almada também sinalizou positivamente aos dois clubes, mas a influência da família e a vontade de retornar à Argentina fortaleceram a possibilidade de uma transferência para o River.

De acordo com o ge, o clube argentino apresentou uma proposta de 20 milhões de euros ao Atlético de Madrid, mas encontrou dificuldades para oferecer as garantias financeiras exigidas. O Flamengo apresentou valores superiores e conta com a boa relação construída com o clube espanhol.

Boto admite que Almada pode não chegar

Mesmo depois da viagem, José Boto evitou garantir que Almada será contratado. O dirigente afirmou que o Flamengo trabalha simultaneamente com diferentes possibilidades no mercado.

“Pode vir o Almada, pode vir outro, pode não vir ninguém. Mas, se vier algum jogador, vai ser nas condições que o Flamengo quer, e não em leilões.”

Boto também declarou que o clube não pretende esperar indefinidamente por uma resposta. Segundo o diretor, negociações deste tamanho exigem paciência, mas o Flamengo não pode ficar dependente da decisão de apenas um jogador.

“Não vamos esperar eternamente. Contratações deste nível exigem paciência para não se pagar mais do que se deve. Mas também não vamos esperar para sempre.”

O dirigente acrescentou que o Flamengo atua em “vários tabuleiros”, indicando que existem alternativas caso a negociação por Thiago Almada não seja concluída. O nome de Luiz Henrique, atualmente no Zenit, permanece entre os jogadores monitorados, mas Boto não confirmou qualquer avanço pelo atacante.

Boto explica custos das negociações internacionais

Durante a entrevista, José Boto também falou sobre os custos envolvidos nas grandes contratações. O diretor destacou que o valor anunciado de uma transferência não representa o custo total para um clube brasileiro.

Segundo ele, uma negociação de 20 milhões de euros pode aproximar-se dos 24 milhões após a inclusão dos impostos. Em uma operação de 30 milhões de euros, o custo poderia ultrapassar os 36 milhões.

Boto também ressaltou que os prazos de pagamento fazem diferença. Uma transferência paga em um ano provoca um impacto financeiro muito diferente de uma operação dividida em três ou cinco temporadas.

Ao pedir paciência à torcida, o dirigente utilizou uma comparação para defender a postura do Flamengo:

“Comer lagosta a preço de sardinha não existe. E comer sardinha pensando que está a comer lagosta também não.”