O futebol brasileiro vive uma transformação que vai muito além das grandes contratações realizadas nas últimas janelas. A presença de jogadores estrangeiros na Série A alcançou um novo patamar em 2026 e estabeleceu um recorde histórico no Campeonato Brasileiro.

No início de agosto, o jornal espanhol AS contabilizou 161 jogadores estrangeiros distribuídos pelos 20 clubes da primeira divisão, superando os 157 registrados em 2025. Desde então, o número continuou crescendo: levantamento atualizado do Transfermarkt já aponta 162 estrangeiros nos elencos da Série A.

A tendência é que o total ainda aumente. A atual janela brasileira permanece aberta até 11 de setembro, permitindo novas movimentações entre os clubes.

O fenômeno evidencia uma mudança importante no mercado. Durante décadas, o Brasil ficou marcado principalmente como fornecedor de jogadores para o exterior. Agora, os clubes brasileiros também começam a se tornar destinos relevantes para atletas de outros países.

Argentina continua liderando presença estrangeira

Os países sul-americanos ainda concentram a maior parte dos jogadores estrangeiros que atuam no Brasil.

No levantamento publicado pelo AS, a Argentina aparece na liderança com 47 atletas, seguida pelo Uruguai, com 31, e pela Colômbia, com 26. Paraguai aparece com 12 representantes e Equador com nove.

A internacionalização, entretanto, já ultrapassa as fronteiras da América do Sul.

Jogadores de Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Países Baixos, Croácia e diferentes países africanos também aparecem nos elencos do Campeonato Brasileiro. O AS contabilizou atletas de Europa e África dentro desse crescimento.

No começo da temporada, o Brasileirão possuía 151 estrangeiros registrados. Portanto, o próprio decorrer de 2026 mostra como a janela de transferências vem aumentando a presença internacional nos clubes.

Grêmio e Botafogo aparecem entre os líderes

Grêmio e Botafogo estavam no topo do levantamento divulgado pela imprensa espanhola, com 13 estrangeiros cada.

O Grêmio apresentava ainda uma característica particular: seus jogadores estrangeiros representavam oito nacionalidades diferentes, tornando o elenco um dos mais internacionalizados da competição. Fluminense e Athletico-PR apareciam logo atrás, com 11 estrangeiros.

Internacional e Vasco tinham dez atletas de outros países, enquanto Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Bahia e Red Bull Bragantino apareciam com nove cada um no levantamento.

Flamengo também faz parte da transformação

O Flamengo aparece diretamente inserido nesse processo de internacionalização do futebol brasileiro.

O clube possuía nove estrangeiros de sete nacionalidades diferentes no levantamento divulgado pelo AS.

A composição do elenco rubro-negro mostra como os grandes clubes brasileiros passaram a ampliar sua área de observação no mercado. Jogadores sul-americanos continuam sendo maioria, mas a busca já não está limitada aos mercados mais tradicionais do continente.

Essa transformação acompanha também o aumento do poder financeiro do futebol brasileiro.

Especialistas ouvidos pelo jornal espanhol relacionam o movimento ao crescimento das receitas de televisão e patrocínios, à maior organização financeira de parte dos clubes e à exposição proporcionada pelas principais competições nacionais e continentais.

Brasil muda de posição no mercado mundial

Outro fator ajuda a explicar esse cenário.

Quando jogadores brasileiros continuam sendo vendidos para mercados estrangeiros, os clubes precisam encontrar reposições. Com maior capacidade de investimento, equipes da Série A passaram a olhar com mais frequência para Argentina, Uruguai, Colômbia e outros mercados internacionais.

No início do campeonato, a Band já apontava o Brasil como um mercado intermediário estratégico, capaz de oferecer competitividade, visibilidade e possibilidade de valorização para atletas estrangeiros.

Para muitos jogadores sul-americanos, uma passagem bem-sucedida pelo Brasileirão também pode funcionar como etapa para uma transferência futura para a Europa.

O resultado é um mercado cada vez mais conectado ao restante do futebol mundial.