Crise no Flamengo vai além do campo: Boto enfrenta desgaste e departamento médico vira alvo

O momento de instabilidade vivido pelo Flamengo não estaria limitado às atuações ruins apresentadas dentro de campo. Nos bastidores do Ninho do Urubu, o ambiente seria marcado por cobranças relacionadas ao modelo de jogo de Leonardo Jardim, tensão entre a comissão técnica e o departamento médico e desgaste na relação do diretor de futebol José Boto com jogadores e funcionários.

As informações foram publicadas pelo ge na madrugada deste sábado, 1º de agosto. Segundo a reportagem, o desempenho abaixo do esperado depois da paralisação para a Copa do Mundo aumentou a insatisfação interna, especialmente após os empates consecutivos contra São Paulo e Internacional.

O Flamengo volta a campo no dia 9 de agosto, contra o Vitória, no Maracanã. Além da necessidade de reagir no Campeonato Brasileiro, a equipe também se aproxima das oitavas de final da Libertadores, competição que ganhou ainda mais peso após a eliminação precoce na Copa do Brasil.

Modelo de Leonardo Jardim recebe cobranças

Parte das críticas internas estaria direcionada à forma como o Flamengo passou a jogar sob o comando de Leonardo Jardim. Uma ala do departamento de futebol entende que o time perdeu características importantes apresentadas durante o trabalho de Filipe Luís.

Entre os principais problemas apontados estão a perda do controle das partidas, a dificuldade para construir jogadas, a lentidão ofensiva e uma maior vulnerabilidade defensiva.

Apesar das divergências, não existiria um problema de relacionamento pessoal entre Leonardo Jardim e o elenco. O treinador é descrito internamente como um profissional direto e trabalhador. A insatisfação estaria concentrada principalmente no modelo de jogo utilizado e na metodologia dos treinamentos.

O próprio elenco já manifestou publicamente a necessidade de mudança. Após o empate contra o Internacional, Danilo afirmou que os jogadores precisavam se reconectar com as ideias do Flamengo e que o treinador também teria de reorganizar rapidamente essas ideias diante da aproximação dos jogos decisivos.

Varela também adotou um discurso de cobrança depois da sequência de resultados negativos, afirmando que o grupo precisava fechar as portas e recomeçar.

Copa do Mundo teria prejudicado adaptação

A comissão técnica entende que o período da Copa do Mundo dificultou a implementação completa do modelo de Leonardo Jardim. Nove jogadores do Flamengo ficaram aproximadamente dois meses trabalhando com outras seleções e sob orientações diferentes.

Internamente, a avaliação seria de que parte do grupo ainda tenta assimilar a maneira como o treinador português pretende fazer a equipe jogar.

No entanto, a justificativa encontra resistência diante da proximidade das decisões da temporada. O Flamengo já perdeu terreno no Campeonato Brasileiro e precisa encontrar rapidamente uma formação capaz de entregar melhores atuações e resultados.

Departamento médico também enfrenta desgaste

Outro ponto de tensão estaria na relação entre a comissão técnica e o departamento médico. Leonardo Jardim já demonstrou publicamente insatisfação com prazos de recuperação que acabaram sendo adiados.

Um dos casos mencionados foi o de Léo Ortiz. Durante a intertemporada realizada em Portugal, Jardim afirmou que a avaliação inicial não havia correspondido à recuperação apresentada pelo zagueiro.

Segundo o treinador, a previsão inicial era de uma paragem de aproximadamente 15 dias. Entretanto, mesmo depois de três semanas, Léo Ortiz ainda apresentava limitações e não tinha uma data definida para regressar aos treinamentos.

Situações semelhantes envolvendo Eric Pulgar também teriam provocado questionamentos internos. A comissão técnica receberia determinadas previsões, mas os prazos acabariam sendo alterados durante o processo de recuperação.

O departamento médico do Flamengo passou por mudanças profundas desde o início da gestão de Luiz Eduardo Baptista. A estrutura sofreu reformulações, alterações no comando e momentos de desconfiança por parte de jogadores.

José Boto enfrenta resistência interna

O diretor de futebol José Boto seria outro foco de insatisfação nos bastidores. A relação do dirigente com atletas e funcionários é descrita como distante, marcada por cobranças consideradas excessivamente duras em algumas situações.

A rejeição interna teria aumentado principalmente depois da demissão de Filipe Luís, em março. O processo de saída do antigo treinador provocou desconforto em diferentes áreas do clube e ampliou o desgaste do diretor português.

A reportagem também aponta críticas à postura de José Boto no relacionamento diário com funcionários e à sua presença constante em materiais institucionais do Flamengo.

O presidente Luiz Eduardo Baptista chegou a avaliar possíveis substitutos para o cargo, mas decidiu manter o dirigente, apostando também na relação profissional entre Boto e Leonardo Jardim. Mesmo assim, a permanência do diretor de futebol para a temporada de 2027 é considerada pouco provável neste momento.

Libertadores aumenta pressão no Flamengo

O Flamengo terá alguns dias sem partidas para tentar reorganizar o ambiente, recuperar jogadores e melhorar o funcionamento da equipe.

O próximo compromisso será contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro. Logo depois, o clube terá pela frente as oitavas de final da Libertadores.

Uma nova eliminação seria considerada extremamente prejudicial para o planeamento da temporada, especialmente depois da queda antecipada na Copa do Brasil. Por isso, a cobrança interna deve crescer ainda mais caso o futebol apresentado não evolua nos próximos jogos.

O cenário mostra que a crise do Flamengo já envolve diferentes áreas. Comissão técnica, departamento médico, direção de futebol e jogadores estão sob pressão justamente no momento em que a temporada entra na sua fase mais decisiva.