Flamengo e Cruzeiro farão um dos grandes confrontos das oitavas de final da Libertadores. Dois gigantes do futebol brasileiro disputando uma vaga nas quartas, mas chegando ao duelo depois de estratégias bem diferentes no mercado.

Pedrinho havia dito que o Cruzeiro iria se reforçar — e cumpriu. Mesmo convivendo com várias lesões, o clube mineiro foi ao mercado, identificou suas necessidades e chegou a seis contratações nesta janela. Não significa que todos serão titulares ou que o Cruzeiro tenha montado um supertime. Significa que houve uma tentativa clara de cobrir as lacunas do elenco antes de uma fase decisiva da temporada.

Do outro lado está o Flamengo, um clube com enorme capacidade financeira. E é justamente por isso que algumas perguntas precisam ser feitas.

O Flamengo passou dias esperando uma definição de Thiago Almada. A negociação não avançou, o argentino escolheu o River Plate e, depois disso, boa parte da capacidade de investimento que seria utilizada em Almada passou a ser direcionada para Luiz Henrique, do Zenit.

Luiz Henrique é um excelente jogador e seria um grande reforço. O problema não é o jogador. A questão é o planejamento.

Nesta sexta-feira acontece o chamado Dia D da Libertadores. O Flamengo tem até as 18h para realizar alterações na lista das oitavas e, neste momento, é extremamente difícil imaginar uma negociação desse tamanho sendo fechada, documentada e regularizada a tempo. O regulamento da Conmebol permite até cinco substituições nesta fase.

Mesmo que Luiz Henrique não chegue agora, o Flamengo pretende continuar negociando sua contratação. Certo. Mas a pergunta do Fla Opina é outra:

será que o Flamengo precisava concentrar praticamente toda a sua energia em duas operações milionárias?

Ayrton Lucas vive uma fase abaixo do que já apresentou e a lateral esquerda poderia receber concorrência. A zaga tem jogadores qualificados, mas vem cometendo erros. Na direita, Varela oferece segurança, enquanto Emerson Royal ainda precisa afastar dúvidas. No meio-campo, falta uma alternativa de criação. E Pedro continua sem um substituto de características semelhantes para momentos em que não puder atuar.

Será que todas essas necessidades exigem jogadores de €30 milhões?

O próprio futebol sul-americano mostra que não. Kevin Viveros, por exemplo, custou ao Athletico-PR US$ 5 milhões por 70% dos direitos. Não estamos dizendo que Viveros deveria necessariamente jogar no Flamengo. O exemplo serve para mostrar que existe mercado entre uma aposta barata e uma contratação de €30 milhões ou €35 milhões.

Talvez o Flamengo pudesse ter buscado dois ou três jogadores pontuais, com menor repercussão e custo inferior, mas capazes de oferecer opções reais ao treinador justamente neste momento da temporada.

O Cruzeiro olhou para os seus problemas e tentou se municiar antes da batalha.

O Flamengo tem mais dinheiro, um elenco mais caro e jogadores de enorme qualidade. Mas chegou ao mata-mata esperando grandes nomes enquanto algumas necessidades permanecem abertas.

No futebol, nem sempre quem faz a contratação mais cara é quem se prepara melhor.

Cruzeiro se reforçou para a Libertadores.

E o Flamengo? Ficou para trás no planejamento mesmo tendo um dos elencos mais poderosos da América?

Vamos acompanhar os próximos capítulos.