O Flamengo tem um 2027 que poderá começar complicado em relação ao dinheiro e ao orçamento. Depois de investimentos elevados em 2026, o clube já trabalha com a necessidade de diminuir a folha de pagamento, negociar jogadores e reorganizar suas finanças.

As finanças do Flamengo em 2027 exigirão atenção da diretoria. O clube projeta encerrar 2026 com um déficit de aproximadamente 40 milhões de reais e trabalha com uma meta de arrecadação que pode chegar a cerca de 268 milhões de reais com negociações de jogadores.

São valores importantes até para um dos clubes mais ricos da América do Sul.

O problema não é apenas vender jogadores ou diminuir despesas. O Flamengo também precisa honrar compromissos financeiros assumidos anteriormente, alguns com vencimento em 2027.

O dinheiro que entra não pode ser tratado como se estivesse totalmente disponível para novas contratações.

O Flamengo precisa aprender a medir seus gastos

Uma empresa pode dar lucro, ter receitas elevadas e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se não souber administrar seus gastos.

No futebol não é diferente.

O Flamengo precisa entender que não basta arrecadar muito. É necessário ter a medida certa do investimento, avaliar as condições do mercado e, principalmente, considerar os compromissos que ficarão para os próximos anos.

A contratação de Lucas Paquetá é um exemplo desse tamanho de investimento. O jogador voltou ao Flamengo numa operação que ultrapassou 300 milhões de reais, considerando os valores envolvidos na aquisição e nos custos da negociação.

Não estamos discutindo apenas a qualidade do jogador, mas o tamanho do compromisso financeiro assumido.

Bap assumiu riscos elevados

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, realizou investimentos importantes durante sua administração. Mas fica a pergunta: o Flamengo não assumiu compromissos maiores do que deveria em 2026?

É uma questão que precisa ser avaliada.

O futebol apresenta riscos que nem sempre podem ser controlados. Eliminações em competições, mudanças nas receitas comerciais e dificuldades no mercado podem alterar completamente um planejamento.

A proibição das casas de apostas no Brasil acrescentou mais uma preocupação. Caso a medida continue, o Flamengo precisará encontrar alternativas para compensar a perda de receitas ligadas a esse setor.

Uma administração responsável precisa trabalhar também com a possibilidade de o dinheiro esperado não entrar.

Vender jogadores será parte da solução

O Flamengo já considera negociações de atletas, redução da folha salarial e empréstimos de jogadores que não farão parte dos planos esportivos.

Essas são alternativas para diminuir despesas e melhorar o equilíbrio do caixa.

Mas existe um cuidado importante. O clube não pode vender jogadores simplesmente para conseguir dinheiro e depois precisar gastar ainda mais na reposição.

Também não adianta diminuir a folha salarial se continuar assumindo compromissos elevados nas novas contratações.

O planejamento de 2027 precisa considerar todas essas situações.

2027 não pode pagar pelos erros de 2026

O Flamengo tem capacidade de arrecadação, patrimônio esportivo e uma torcida que poucos clubes conseguem igualar.

Isso não elimina a necessidade de responsabilidade financeira.

A diretoria precisa avaliar ponto a ponto os contratos, os vencimentos, as receitas esperadas e os custos do elenco.

O Flamengo não pode transformar a riqueza que possui numa justificativa para gastar sem limites.

O ano de 2027 poderá ser difícil, mas também pode representar uma oportunidade para corrigir o planejamento.

Porque uma boa administração não é aquela que apenas consegue gastar muito. É aquela que sabe gastar, mantém seus compromissos em dia e prepara o clube para continuar competitivo sem colocar suas finanças em risco.