A tentativa do Flamengo de contratar Luiz Henrique ganhou um capítulo que vai muito além de uma simples negociação de mercado. Nesta sexta-feira, o ge publicou que José Boto teria avançado nas conversas com o Zenit em uma operação de 30 milhões de euros fixos, além de 5 milhões de euros em bônus. Segundo a apuração do veículo, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, teria interrompido o avanço ao reafirmar um limite inferior para o investimento.

Mas é justamente aqui que começa a parte mais polêmica da história.

Depois da publicação, o próprio Flamengo procurou o ge para contestar a informação sobre os valores. O clube reconheceu que houve conversas com o Zenit, mas negou ter feito uma proposta nos números divulgados pela reportagem e afirmou que as cifras discutidas não ultrapassaram os 25 milhões de euros. Mesmo depois da manifestação rubro-negra, o ge informou que mantinha sua apuração sobre a negociação.

A partir daí, o caso deixou de ser apenas uma discussão sobre quanto vale Luiz Henrique. Passou a existir também uma disputa pública de versões.

De um lado, uma reportagem do ge afirma que José Boto teria costurado uma operação que poderia chegar aos 35 milhões de euros entre valores fixos e bônus. Do outro, está o próprio Flamengo, dizendo que esse patamar financeiro não corresponde ao que foi discutido com os russos.

E esse ponto precisa ser tratado com responsabilidade.

Até agora, não existe confirmação oficial do Flamengo de uma oferta de 30 milhões de euros mais 5 milhões em bônus. Esses números fazem parte da apuração publicada pelo ge e também apareceram, com diferenças, em outros veículos de comunicação. O que o Flamengo efetivamente reconheceu foram as conversas com o Zenit.

Há, inclusive, outra versão relevante. Rodrigo Mattos, do UOL, publicou que os primeiros contatos entre Flamengo e Zenit giravam em torno de 25 milhões de euros e que teria sido o clube russo quem posteriormente elevou sua pedida para 35 milhões de euros. Segundo essa apuração, o Flamengo não considera razoável pagar o novo valor exigido pelo Zenit.

Ou seja: há versões diferentes até mesmo entre os veículos que acompanham a negociação.

Porém, existe uma questão que vai além da discussão sobre quem tem a informação correta: o ruído entre BAP e José Boto.

Se o presidente estabeleceu um limite financeiro para a contratação e Boto estava conduzindo as tratativas com o Zenit, presidente e diretor de futebol precisavam estar absolutamente alinhados sobre até onde o Flamengo poderia chegar.

A publicação do ge aponta justamente para uma divergência nesse processo: Boto teria avançado em condições que posteriormente não receberam o aval de BAP. O Flamengo contesta os valores apresentados na reportagem, mas a própria necessidade de o clube procurar o veículo para esclarecer publicamente aquilo que teria sido discutido mostra o tamanho da repercussão provocada pelo episódio.

E isso coloca José Boto novamente no centro das atenções.

O português é o responsável pela condução do mercado rubro-negro. Em uma operação dessa dimensão, envolvendo dezenas de milhões de euros, autonomia e orçamento precisam estar muito bem definidos.

Se a versão publicada pelo ge estiver correta, existe uma pergunta evidente: como uma negociação conseguiu chegar a valores superiores ao limite que BAP estava disposto a autorizar?

Se a posição apresentada pelo Flamengo estiver correta, surge outra: como uma informação tão diferente sobre uma das principais negociações do clube ganhou tamanha dimensão a ponto de exigir uma contestação direta do Flamengo?

Não cabe ao Fla Opina escolher uma das versões sem elementos suficientes para isso. Cabe mostrar aquilo que está colocado: houve negociação por Luiz Henrique, houve informações divergentes sobre os valores, houve intervenção de BAP na condução da operação e houve uma contestação do Flamengo à apuração publicada pelo ge.

E, no final, Luiz Henrique continua no Zenit.