Flamengo corre contra o tempo e expõe a incompetência do futebol
O Flamengo corre contra o tempo para inscrever novos jogadores na Libertadores da América. O prazo termina no próximo sábado, 8 de agosto, mas a diretoria chega à reta final da janela sem apresentar os reforços prometidos e sem uma resposta definitiva de Thiago Almada.
O clube ficou à espera de um “sim” do argentino, mas esse “sim” parece cada vez mais distante. Almada sinaliza preferência pelo River Plate, principalmente porque sua família pretende voltar para a Argentina. Mesmo com uma proposta financeiramente superior, o Flamengo não conseguiu convencer o jogador e permitiu que uma única negociação paralisasse praticamente todo o seu planejamento.
Isso é inadmissível.
Um clube com a força financeira do Flamengo não pode ficar dependente da decisão de um jogador. Uma diretoria profissional precisa trabalhar com um plano principal, uma segunda opção, uma terceira alternativa e vários nomes previamente analisados. O mercado não pode parar porque Thiago Almada ainda não decidiu onde deseja jogar.
Enquanto o Flamengo espera, o relógio continua correndo.
Não basta contratar. É necessário concluir a negociação, realizar os exames médicos, assinar o contrato, regularizar o jogador e cumprir todos os procedimentos exigidos para incluí-lo na lista da Libertadores. O prazo está praticamente esgotado, e o Flamengo ainda não anunciou o meia solicitado, não contratou o centroavante prometido e também não avançou de forma concreta por Luiz Henrique.
Está tudo parado.
O mais grave é que o Flamengo não vive uma situação confortável dentro de campo. A equipe apresenta um futebol fraco, lento, sem criatividade e distante do nível esperado para um elenco tão caro. No Campeonato Brasileiro, o Palmeiras está cada vez mais distante. Na Libertadores, o clube se aproxima de um confronto decisivo sem ter corrigido suas principais carências.
Diante desse cenário, a pergunta é simples: o que o Departamento de Futebol fez durante todo esse tempo?
O Flamengo arrecada milhões, investe cifras altíssimas, possui uma das maiores estruturas do futebol sul-americano e contratou profissionais justamente para organizar o mercado, fortalecer o scout e antecipar oportunidades. Ainda assim, chega perto da data-limite sem uma contratação concluída.
A responsabilidade passa diretamente pelo Departamento de Futebol comandado por José Boto.
Quando uma negociação começa a se arrastar, a diretoria precisa estabelecer um prazo e avançar imediatamente para outras opções. O Flamengo não pode permitir que a vontade de Thiago Almada determine todo o rumo da janela. Caso o jogador escolha o River Plate, o clube terá perdido semanas preciosas esperando alguém que nunca demonstrou total convicção em vestir a camisa rubro-negra.
Isso não é planejamento. É improvisação.
O scout existe justamente para que o Flamengo não fique refém de um único nome. Se Almada era a prioridade, quais eram as alternativas? Qual era o segundo meia da lista? Qual era o terceiro? Onde está o centroavante? O que aconteceu com a negociação por Luiz Henrique? Por que todas as operações parecem condicionadas à resposta de apenas um jogador?
Um clube desse tamanho precisa agir antes que os problemas se transformem em crises. Porém, no Flamengo, a diretoria parece sempre reagir quando o tempo já está acabando. A janela se aproxima do fim, a Libertadores está chegando e o elenco continua praticamente igual, com as mesmas limitações que já aparecem dentro de campo.
É uma vergonha ver um clube tão rico, tão poderoso e tão estruturado entrar em contagem regressiva sem saber se conseguirá inscrever sequer um reforço importante.
Caso o Flamengo não consiga contratar ninguém a tempo, não será por falta de dinheiro. Também não será por falta de mercado. Será por falta de velocidade, organização, alternativas e capacidade de decisão.
Depois, não adianta culpar o calendário, os valores pedidos pelos clubes ou a preferência dos jogadores. O futebol profissional exige antecipação. Grandes dirigentes não ficam esperando os acontecimentos; eles criam caminhos, trabalham com possibilidades e protegem o planejamento do clube.
O Flamengo chega ao momento decisivo da temporada sem a resposta de Thiago Almada, sem avanço por Luiz Henrique, sem o centroavante prometido e sem qualquer sinal de que as carências do elenco serão resolvidas antes da Libertadores.
Tudo parado. O tempo acabando. E o torcedor assistindo a mais uma demonstração de incompetência.
O que será do Flamengo no restante da temporada? O que acontecerá na Libertadores? Como o clube pretende diminuir a distância para o Palmeiras no Campeonato Brasileiro? E, principalmente, que história o Flamengo escreverá em 2026?
As respostas ainda não apareceram.
Mas uma coisa já está clara: se o Flamengo fracassar por falta de reforços, ninguém poderá dizer que faltaram recursos. Faltou planejamento. Faltou comando. Faltou competência.




