Flamengo já está à frente da meta da CBF
As novas medidas aprovadas para reduzir a cera e o antijogo no Campeonato Brasileiro podem criar um cenário interessante para o Flamengo. Um levantamento da Opta/CBF Academy mostra que o Rubro-Negro é justamente a equipe que apresenta a maior média de tempo de bola rolando na Série A de 2026: 57 minutos e 39 segundos por partida, equivalente a 56,7% do tempo total de seus jogos.
O número ganha ainda mais importância quando comparado ao objetivo estabelecido pela própria CBF. Atualmente, a Série A registra média de apenas 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida. Com o pacote de medidas contra o antijogo, a entidade trabalha para elevar esse índice para aproximadamente 57 minutos.
Na prática, o Flamengo já ultrapassa sozinho a marca que a CBF deseja atingir como média para todo o Campeonato Brasileiro.
Diferença do Flamengo para os adversários chama atenção
O levantamento também mostra uma vantagem considerável do Flamengo em relação aos demais clubes. A Chapecoense aparece na segunda posição, com 54min55s, seguida pelo Grêmio, com 54min39s. O Palmeiras registra 53min32s, enquanto o Cruzeiro aparece com 51min29s.
Isso significa que uma partida do Flamengo tem, em média, mais de quatro minutos adicionais de bola rolando do que uma partida do Palmeiras e mais de seis minutos em comparação com o Cruzeiro.
Os números não significam que o Flamengo ganhará jogos simplesmente porque haverá menos paralisações. Mas mostram que o comportamento das partidas do Rubro-Negro já está mais próximo do modelo que a CBF pretende estimular.
O que muda contra a cera
As mudanças foram aprovadas pelos clubes das Séries A e B e começam a ser utilizadas a partir da 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O objetivo é diminuir atrasos deliberados e aumentar o tempo efetivo de jogo.
Entre as medidas, quando o árbitro identificar atraso proposital em uma cobrança de lateral, poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos. Se a cobrança não for realizada, o lateral será revertido para o adversário. No tiro de meta, o procedimento será semelhante: após a contagem, o atraso poderá resultar em escanteio para o outro time.
Também haverá maior rigor nas substituições. O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo e, se retardar deliberadamente a saída, seu substituto poderá ter de aguardar um minuto para entrar. Jogadores que receberem atendimento médico também deverão permanecer pelo menos 60 segundos fora antes de retornar.
Há ainda uma medida específica para atendimentos aos goleiros. Se o goleiro precisar receber atendimento médico, um jogador de linha da mesma equipe também deverá ficar fora de campo por um minuto, mecanismo criado justamente para desestimular paralisações estratégicas.
Mais bola rolando pode favorecer quem quer jogar
É justamente nesse ponto que o Flamengo pode encontrar uma vantagem esportiva indireta. Uma equipe acostumada a partidas com maior tempo efetivo de jogo tende a sofrer menos com um ambiente em que a arbitragem passe a combater de forma mais rígida atrasos, atendimentos usados para quebrar o ritmo e demora nas reposições.
Para os adversários que utilizam as paralisações como forma de esfriar momentos de pressão, reduzir o ritmo ou administrar uma vantagem, o espaço para esse tipo de comportamento será menor.
A CBF quer aproximar o Brasileirão dos campeonatos que apresentam maior tempo de bola efetivamente em disputa. Atualmente, a MLS registra 57min12s, a Bundesliga 56min18s e a Premier League 55min23s. Já o Brasileirão está em 52min54s.
Curiosamente, o Flamengo já apresenta uma média superior até mesmo às médias dessas competições.




