Flamengo precisa cuidar de quem joga e de quem torce

O Flamengo vive uma semana importante dentro e fora de campo. De um lado, o clube se aproxima de esvaziar o departamento médico antes do confronto contra o Cruzeiro pela Libertadores. Do outro, publicou uma nota oficial para defender os torcedores rubro-negros após os preços cobrados no Castelão.

São dois assuntos diferentes, mas que possuem algo em comum: a obrigação do Flamengo de cuidar das pessoas que representam e sustentam o clube.

Dentro de campo, a recuperação dos jogadores chega em um momento decisivo. Lucas Paquetá já está liberado para atuar, Gonzalo Plata voltou parcialmente aos treinamentos e Léo Pereira teve uma lesão mais grave descartada. Luiz Araújo permanece na fase final de recuperação, mas existe a possibilidade de também ficar disponível para a Libertadores.

É uma excelente notícia para Leonardo Jardim, principalmente porque as ausências não podem continuar servindo como explicação para o desempenho abaixo do esperado.

Com praticamente todo o elenco à disposição, o treinador terá mais opções para definir a equipe, mudar o sistema durante as partidas e recuperar jogadores que ainda não entregaram o futebol esperado. A responsabilidade da comissão técnica cresce junto com o número de atletas disponíveis.

O Flamengo investiu muito dinheiro para construir um elenco forte. Portanto, chegar ao confronto com o Cruzeiro com força máxima não pode ser tratado como garantia de classificação, mas como a condição mínima para competir.

Também será necessário ter cuidado com os retornos. O clube não pode acelerar a recuperação de Luiz Araújo apenas pela proximidade da Libertadores. Perder novamente um jogador por precipitação seria transformar uma boa notícia em outro problema.

O departamento médico vazio representa organização, mas é dentro de campo que essa organização precisará aparecer.

A torcida não pode ser tratada como caixa eletrônico

Fora das quatro linhas, o Flamengo também acertou ao se posicionar sobre o tratamento recebido por sua torcida no Castelão.

Segundo os números apresentados pelo próprio clube, o torcedor rubro-negro pagou, em média, R$ 231,95 pelo ingresso. Mesmo representando somente 24% do público, a torcida visitante respondeu por mais de 70% da arrecadação total de R$ 2,7 milhões.

Isso não é apenas uma diferença de preço. É a utilização da força nacional da torcida do Flamengo para aumentar a arrecadação de maneira desproporcional.

O torcedor rubro-negro está presente em todos os estados do Brasil. Quando o Flamengo joga fora do Rio de Janeiro, muitas pessoas têm uma das poucas oportunidades de ver o clube pessoalmente. Os adversários conhecem essa procura e, muitas vezes, transformam o setor visitante no ingresso mais caro da partida.

O Flamengo tem razão ao cobrar reciprocidade. Quando o Fortaleza esteve no Maracanã, seus torcedores tiveram ingressos de R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia. No Castelão, o valor médio pago pelos flamenguistas ficou muito acima disso.

Entretanto, essa posição precisa ser permanente. O Flamengo deve defender preços justos para visitantes não apenas quando sua torcida é prejudicada, mas também quando recebe adversários no Maracanã.

A coerência dará mais força à cobrança.

A nota também relatou que dois espectadores usando camisas pretas foram hostilizados sob a acusação de serem flamenguistas e acabaram retirados do setor, mesmo sem provocações. Um estádio não pode ser um ambiente no qual alguém seja constrangido apenas pela suspeita de torcer por outro clube.

O futebol brasileiro precisa abandonar essa ideia de que o visitante é um inimigo. Rivalidade faz parte do espetáculo; humilhação, preços abusivos e constrangimento não.