Mais uma noite de quarta-feira em que tudo deu errado para o Flamengo.

Diante de um Internacional que vinha enfrentando uma crise dentro e fora de campo, o Rubro-Negro teve mais uma oportunidade de mostrar força, recuperar a confiança e continuar próximo do Palmeiras na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro.

Não conseguiu.

O Flamengo apresentou um futebol pobre. Pobre em criatividade, defensivamente vulnerável, ofensivamente previsível e sem qualquer sinal de evolução. Pelo contrário: a equipe vem regredindo a cada partida.

Os jogadores parecem completamente perdidos dentro de campo. Não existe organização, intensidade, movimentação ou uma ideia clara de jogo. O Flamengo tornou-se uma equipe burocrática, lenta e incapaz de reagir quando é pressionada pelo adversário.

Leonardo Jardim chegou ao clube com o status de grande treinador. Um profissional experiente, com trabalhos importantes na carreira e capacidade para potencializar um elenco recheado de jogadores de alto nível.

Até o momento, porém, isso não aconteceu.

O treinador não consegue tirar o melhor dos seus atletas. O Flamengo atual joga menos do que poderia e também menos do que jogava anteriormente. Até os aspectos positivos que Filipe Luís havia deixado parecem ter desaparecido.

O que vemos hoje é um futebol medíocre, sem perspectiva clara de melhora e que causa enorme preocupação, principalmente porque os confrontos decisivos da Libertadores estão cada vez mais próximos.

Um primeiro tempo vergonhoso

O primeiro tempo apresentado pelo Flamengo no Beira-Rio foi vergonhoso.

Mesmo enfrentando um Internacional com elenco mais limitado e convivendo com diversos problemas, o Rubro-Negro foi pressionado. O time gaúcho conseguiu empurrar o Flamengo para dentro da própria área, criou oportunidades e mostrou muito mais disposição.

O Flamengo aceitou a pressão.

Não conseguiu sair jogando com qualidade, não teve controle no meio-campo e praticamente não apresentou qualquer capacidade de construção ofensiva. Era um time sem reação, esperando os acontecimentos da partida, como se não compreendesse a importância daquele confronto.

Uma equipe com o investimento, o elenco e as ambições do Flamengo não pode apresentar tamanha passividade.

O problema não é apenas empatar uma partida fora de casa. Empates fazem parte de uma competição longa. O problema é a maneira como o Flamengo vem jogando.

Não existe evolução. Não existe uma identidade. Não existe confiança de que o time encontrará uma solução quando estiver diante de uma dificuldade.

Leonardo Jardim utiliza mal os seus jogadores

Jorginho é um dos maiores exemplos dos problemas provocados pelas escolhas de Leonardo Jardim.

O meio-campista é uma das principais lideranças do elenco e possui qualidade para organizar o jogo, encontrar passes entre as linhas e aproximar o meio-campo dos atacantes.

No entanto, Leonardo Jardim tem recuado Jorginho para atuar praticamente entre os zagueiros, participando do início da construção. Com isso, tira o jogador da zona em que poderia ser mais decisivo.

Jorginho rende melhor como um segundo volante, com liberdade para avançar, controlar o ritmo da partida e procurar passes que coloquem os jogadores de ataque em condições de finalizar.

Quando o treinador o prende na saída de bola, o Flamengo perde criatividade no meio e deixa o jogador distante do setor ofensivo.

É apenas um dos exemplos de um time que parece não aproveitar as características dos seus melhores atletas.

Substituição de Alex Sandro aumenta preocupação

Outra decisão difícil de compreender aconteceu com a saída de Alex Sandro.

O lateral-esquerdo fazia uma partida segura e demonstrou claramente que não gostou de ser substituído. Leonardo Jardim decidiu colocar Varela improvisado pelo lado esquerdo, mesmo sendo uma posição que não oferece as melhores condições ao jogador uruguaio.

A alteração não pareceu ter qualquer lógica técnica.

Além de retirar um atleta que estava bem, o treinador colocou outro fora da sua posição original. A reação de Alex Sandro ao deixar o campo também acendeu um sinal de alerta.

Não é possível afirmar, apenas por uma substituição, que Leonardo Jardim perdeu o elenco ou o vestiário. Entretanto, a cena mostrou uma evidente insatisfação e reforçou a impressão de desconexão entre as decisões do treinador e os jogadores.

Quando o futebol não aparece e as escolhas começam a provocar reações públicas dos atletas, a situação precisa ser observada com atenção.

Palmeiras faz o que o Flamengo não consegue

O resultado no Beira-Rio tornou-se ainda mais grave por causa do que aconteceu no Barradão.

O Palmeiras aproveitou as duas expulsões do Vitória, construiu uma goleada por 4 a 0, aumentou o seu saldo de gols e fortaleceu ainda mais a sua posição na liderança.

O Palmeiras não fez uma grande partida, mas soube aproveitar a oportunidade.

Fez o seu papel.

O Flamengo, novamente, não fez o dele.

Enquanto o principal concorrente transforma situações favoráveis em vitórias, o Rubro-Negro desperdiça pontos, apresenta um futebol cada vez pior e permite que a distância na tabela aumente.

O Flamengo ainda possui um jogo a menos, mas isso não pode servir como desculpa ou garantia de recuperação. Uma partida atrasada só representa três pontos quando é vencida.

Com o futebol apresentado atualmente, não existe qualquer segurança de que o Flamengo conseguirá aproveitar essa oportunidade.

O título começa a ficar distante

O Campeonato Brasileiro ainda não terminou. Há muitos pontos em disputa e o Flamengo possui um dos melhores elencos do futebol brasileiro.

Mas o futebol não é disputado apenas com nomes.

É necessário organização, intensidade, comando e capacidade de resposta. Características que o Flamengo não vem demonstrando.

A vantagem aberta pelo Palmeiras já é considerável. Além de recuperar os pontos perdidos, o Flamengo agora precisa esperar que o adversário também tropece.

O problema é que o Palmeiras demonstra comportamento de candidato ao título. Mesmo quando não joga bem, vence. O Flamengo, mesmo quando encontra adversários fragilizados, não consegue aproveitar.

Caso essa diferença de comportamento continue, o título ficará cada vez mais distante.