Flamengo supera R$ 839 milhões em receitas e mantém crescimento mesmo sem Mundial de Clubes

O Flamengo encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma receita total bruta de R$ 839 milhões, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pelo próprio clube. O valor representa um crescimento de 9,5% em comparação com os primeiros seis meses de 2025.

O resultado chama ainda mais atenção porque a base de comparação do ano anterior incluía aproximadamente R$ 155,8 milhões recebidos pela participação no Mundial de Clubes. Mesmo sem essa receita extraordinária em 2026, o Flamengo conseguiu aumentar a arrecadação total.

Os números fazem parte do Relatório de Transparência Econômico-Financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. O documento apresenta a evolução das receitas, os investimentos realizados no futebol, o nível de endividamento e a situação do caixa rubro-negro.

Receita recorrente chega a R$ 732,4 milhões

Dos R$ 839 milhões arrecadados no semestre, R$ 732,4 milhões correspondem às chamadas receitas recorrentes, que não incluem a venda de jogadores.

Na comparação direta com o primeiro semestre de 2025, a receita recorrente aumentou 2,9%. Entretanto, quando são retirados da base anterior os R$ 155,8 milhões extraordinários do Mundial de Clubes, o crescimento estimado chega a aproximadamente 32%.

Segundo o Flamengo, esse avanço foi impulsionado pelo amadurecimento das principais áreas comerciais do clube. O resultado recorrente do período, desconsiderando transferências de atletas e a receita extraordinária do Mundial, foi apresentado como o mais forte dos últimos cinco anos.

O EBITDA recorrente, indicador utilizado para medir a capacidade da operação de gerar recursos antes da venda de jogadores, atingiu R$ 156,9 milhões, com margem de 22,8%.

Patrocínios e publicidade impulsionam crescimento

As receitas consolidadas com licenciamento, patrocínio e publicidade chegaram a aproximadamente R$ 294,3 milhões no primeiro semestre. No mesmo período de 2025, essa área havia gerado cerca de R$ 217 milhões.

Somente os contratos de patrocínio e publicidade renderam aproximadamente R$ 237,5 milhões, contra R$ 154,6 milhões registrados nos primeiros seis meses do ano anterior.

A evolução demonstra o peso comercial da marca Flamengo e a capacidade do clube de ampliar contratos mesmo depois de já alcançar valores elevados no mercado brasileiro.

Os direitos fixos de transmissão também apresentaram crescimento expressivo, passando de R$ 28 milhões no primeiro semestre de 2025 para aproximadamente R$ 144,7 milhões em 2026.

A comparação entre as receitas de mídia, porém, deve considerar que em 2025 os valores relacionados à participação, exposição e desempenho incluíam a presença no Mundial de Clubes.

Bilheteria e sócio-torcedor também avançam

As operações relacionadas aos jogos alcançaram aproximadamente R$ 180,6 milhões, considerando os números consolidados do Flamengo e da empresa responsável pela operação do Maracanã.

A receita bruta com bilheteria chegou a R$ 67,8 milhões, contra R$ 54,8 milhões no mesmo período de 2025. Já o programa de sócio-torcedor gerou cerca de R$ 52,1 milhões, superando os R$ 39,4 milhões registrados no ano anterior.

As receitas ligadas ao estádio alcançaram aproximadamente R$ 60,8 milhões no resultado consolidado. O crescimento dessas áreas reforça a importância do Maracanã, da presença da torcida e dos programas de relacionamento na estrutura financeira do clube.

Venda de jogadores rende R$ 106,9 milhões

A movimentação de atletas gerou uma receita bruta de R$ 106,9 milhões no primeiro semestre de 2026. O valor é quase o dobro dos R$ 54,5 milhões obtidos no mesmo período de 2025.

O principal negócio foi a transferência de Ryan Dantas para o Shakhtar Donetsk, por aproximadamente R$ 56,2 milhões.

O relatório também registra as vendas de Juninho para o Pumas, por R$ 25,6 milhões; Victor Hugo ao Atlético-MG, por R$ 10,7 milhões; e Iago Teodoro para a MLS, por cerca de R$ 6,2 milhões.

Apesar do crescimento, o valor obtido com transferências ainda está muito abaixo dos R$ 503,8 milhões arrecadados durante todo o ano de 2025, quando o Flamengo negociou jogadores como Gerson, Wesley e Carlos Alcaraz.

Flamengo investiu R$ 495 milhões em atletas

Se as vendas cresceram, os investimentos foram ainda maiores. O Flamengo adicionou aproximadamente R$ 495,2 milhões em direitos federativos durante os primeiros seis meses de 2026.

Segundo o clube, foi o maior investimento da sua história em contratações para um primeiro semestre.

A principal operação foi a compra de Lucas Paquetá ao West Ham. Contabilizando os custos de intermediação, o investimento foi registrado em aproximadamente R$ 315,7 milhões.

O balanço também aponta R$ 81,9 milhões aplicados na contratação de Vitor Matos, anteriormente no Internacional, e R$ 34,7 milhões pela chegada do guarda-redes Andrew Ventura, contratado ao Gil Vicente.

O Flamengo explica que os valores contabilizados incluem direitos econômicos, luvas e comissões de agentes. Nas contratações internacionais, também são considerados impostos e outros custos relacionados às operações.

Semestre termina com déficit contábil

Apesar da arrecadação de R$ 839 milhões, o Flamengo encerrou o primeiro semestre com um déficit de R$ 33,8 milhões.

O resultado foi fortemente influenciado por uma amortização contábil de R$ 192,4 milhões relacionada aos direitos econômicos dos jogadores. O clube ressalta que essa amortização não representa uma saída imediata de dinheiro do caixa, mas o reconhecimento gradual dos investimentos realizados nas contratações.

Isoladamente, o segundo trimestre terminou com um superávit de R$ 30,1 milhões.

O caixa livre consolidado chegou a R$ 127,8 milhões no fim de junho, apresentando uma recuperação de R$ 57,3 milhões em comparação com a posição registrada em 31 de março.

Do total disponível, R$ 89,8 milhões estavam sob administração direta do Flamengo, enquanto o restante era gerido pela Fla-Flu Serviços, responsável pela concessão do Maracanã.

Dívida com atletas cai no segundo trimestre

A dívida líquida relacionada à compra e à venda de atletas fechou o segundo trimestre em R$ 304 milhões, contra R$ 393,9 milhões ao fim do primeiro trimestre.

A redução ocorreu após o pagamento de parcelas referentes às contratações e o recebimento de valores provenientes das vendas realizadas no período.

O endividamento operacional líquido chegou a R$ 280,2 milhões em 30 de junho, uma redução de R$ 207,9 milhões em relação ao final de março. Mesmo assim, parte das obrigações assumidas nas contratações será paga nos próximos anos, seguindo o parcelamento habitual do mercado de transferências.

Força financeira aumenta responsabilidade no futebol

Os números confirmam que o Flamengo mantém uma estrutura financeira capaz de gerar receitas elevadas, realizar contratações milionárias e sustentar um dos elencos mais caros do continente.

O crescimento acontece mesmo num semestre marcado pela interrupção das competições durante a Copa do Mundo e sem a receita extraordinária que o Mundial de Clubes proporcionou em 2025.

Ao mesmo tempo, o desempenho financeiro aumenta a responsabilidade de dirigentes, comissão técnica e jogadores. Um clube que arrecada R$ 839 milhões em apenas seis meses e investe quase R$ 500 milhões no elenco precisa transformar essa capacidade econômica em organização, desempenho e resultados esportivos.