O Flamengo voltou a ter sangue nos olhos

Vimos um Flamengo diferente em campo. E talvez essa seja a principal notícia deixada pela vitória sobre o Vitória no Maracanã.

O primeiro tempo foi avassalador. Foi a postura de um time que parece ter entendido que precisa buscar a sua redenção no Campeonato Brasileiro. Vimos brilho no olhar, gana, vontade de vencer e uma intensidade que havia desaparecido nas últimas partidas.

O Flamengo terminou a primeira etapa com cerca de 75% de posse de bola, pressionando o adversário praticamente dentro do próprio campo de defesa. O Vitória mal conseguia respirar. Quando recuperava a bola, encontrava imediatamente jogadores rubro-negros pressionando novamente.

Foi um Flamengo dominante.

E isso não aconteceu apenas por vontade. Houve também ajustes importantes de Leonardo Jardim.

A defesa apresentou muito mais segurança, o time ficou mais compacto e a organização tática foi claramente superior. No ataque, os jogadores se movimentaram bastante e trocaram posições constantemente. Samuel Lino apareceu em diferentes setores, Carrascal atuou pela direita, mas também circulou, e Arrascaeta teve enorme liberdade para encontrar os espaços.

Não vimos jogadores presos às suas posições.

Vimos um time.

Pulgar simbolizou a mudança

Entre as atuações individuais, destaco Erick Pulgar.

E não apenas pelo golaço que marcou.

Pulgar participou do jogo, protegeu a defesa, pressionou, disputou cada bola e mostrou exatamente o tipo de comportamento que se espera de um jogador do Flamengo em uma partida importante.

Foi uma atuação que simbolizou aquilo que o time apresentou durante boa parte do primeiro tempo.

Também ficou evidente, mais uma vez, a importância de Bruno Henrique. Ele entrou e marcou outro belo gol, mostrando que, mesmo não sendo mais titular absoluto, continua sendo um jogador decisivo.

E talvez exista aí uma questão que ainda precise ser observada: o Flamengo continua recorrendo a Bruno Henrique em momentos importantes e ele continua respondendo.

O que realmente mudou foi a postura

Mais do que discutir esquema, posição ou qualquer questão individual, para mim a principal mudança foi outra:

a postura.

No futebol usamos muito uma expressão: sangue nos olhos.

Foi isso que vimos.

Jogador dando carrinho. Marcação forte. Pressão sobre o adversário. Jogada sendo interrompida quando precisava ser interrompida. Atleta correndo pelo companheiro.

O Flamengo não deixou o Vitória pensar.

E é exatamente isso que precisa ser cobrado de um elenco milionário, com jogadores de enorme qualidade e que possui condições de ser considerado o melhor time das Américas.

Um time desse tamanho não pode entrar em campo da maneira como vinha entrando.

Pode perder? Claro que pode.

Futebol não oferece garantia de resultado.

Mas não pode faltar vontade, intensidade e compromisso.

E contra o Vitória isso não faltou.

O segundo tempo caiu — e era previsível

É verdade que o Flamengo caiu bastante de produção no segundo tempo.

Não vimos a mesma pressão nem a mesma intensidade dos primeiros 45 minutos.

Mas também seria difícil imaginar um time mantendo aquele nível de pressão durante os 90 minutos. A intensidade aplicada no primeiro tempo cobra um preço físico.

Isso não significa que a queda de rendimento deva ser ignorada. Leonardo Jardim ainda precisa encontrar maneiras de administrar melhor esses momentos da partida.

Mas, desta vez, o saldo é claramente positivo.

Agora vem o verdadeiro teste

O que podemos tirar dessa partida?

Que o Flamengo evoluiu.

Que Leonardo Jardim conseguiu fazer ajustes.

E, principalmente, que esse time mostrou capacidade para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão e buscar um grande resultado pela Libertadores.

Não estou dizendo que uma vitória contra o Vitória resolveu todos os problemas.

Não resolveu.

Mas mostrou que existe um Flamengo muito diferente daquele que vimos antes dessa pausa.

E esse Flamengo pode, sim, disputar tudo.

A diferença para o Palmeiras diminuiu no Campeonato Brasileiro. O Flamengo ainda possui um jogo a menos e haverá confronto direto. Portanto, o campeonato está completamente vivo.

Na Libertadores, chega agora um confronto duríssimo contra o Cruzeiro.

Mas depois do que vimos, existe motivo para acreditar.

O Flamengo tem elenco, tem qualidade, tem treinador e tem camisa para buscar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores da América.

Só precisa manter aquilo que mostrou no Maracanã:

vontade de vencer.

Porque o Clube de Regatas do Flamengo é isso.