O Flamengo chega ao jogo de volta contra o Independiente del Valle com uma vantagem importante nas quartas de final da Libertadores. O 2 a 0 conquistado em Quito colocou o time de Leonardo Jardim em situação bastante favorável: o Rubro-Negro pode perder por um gol de diferença no Maracanã e ainda assim avançará às semifinais.
Mas há outro dado que ajuda a dimensionar o tamanho da missão dos equatorianos.
Para eliminar o Flamengo diretamente, sem disputa por pênaltis, o Del Valle precisa vencer por três gols de diferença no Maracanã. E isso não acontece com o Rubro-Negro como mandante pela Libertadores há 18 anos. A última vez foi justamente em uma das eliminações mais traumáticas da história recente do clube na competição: o 3 a 0 sofrido para o América do México, em 2008.
A lembrança serve ao mesmo tempo como segurança e alerta.
O Flamengo construiu em Quito uma vantagem que historicamente tem sido muito difícil de derrubar no Rio de Janeiro, mas sabe também que a Libertadores já produziu noites improváveis dentro do próprio Maracanã.
O fantasma de 2008
O precedente mais marcante aconteceu nas oitavas de final da Libertadores de 2008.
Naquela ocasião, o Flamengo havia vencido o América do México por 4 a 2 fora de casa e chegou ao Maracanã em situação extremamente confortável.
O cenário parecia tão favorável que a classificação era tratada quase como encaminhada.
Não foi.
O América venceu por 3 a 0 no Rio de Janeiro e eliminou o Flamengo em uma das maiores viradas sofridas pelo clube em sua história continental. Desde aquela noite, o Rubro-Negro não voltou a perder em casa por uma diferença de três gols em jogos da Libertadores.
É exatamente uma vitória por essa margem que o Independiente del Valle precisa alcançar na próxima quinta-feira caso queira avançar sem depender dos pênaltis.
Derrota por dois gols aconteceu mais recentemente
Se o Del Valle vencer por exatamente dois gols de diferença, o placar agregado ficará empatado e a vaga será decidida nas penalidades.
Nesse caso, existe um precedente mais recente.
A última derrota do Flamengo por dois gols de diferença como mandante na Libertadores aconteceu em 2018, quando o Cruzeiro venceu por 2 a 0 no Maracanã, pelas oitavas de final. Arrascaeta, hoje um dos principais jogadores rubro-negros, abriu o placar naquela partida, e Thiago Neves completou a vitória mineira.
O Flamengo ainda venceu o jogo da volta por 1 a 0 no Mineirão, mas acabou eliminado.
Ou seja: uma derrota por dois gols em casa não é algo inexistente no histórico recente, embora seja incomum. Uma derrota por três ou mais, porém, não ocorre há 18 anos na Libertadores.
Vantagem construída na altitude
A situação confortável do Flamengo nasceu de uma atuação extremamente eficiente em Quito.
O Independiente del Valle teve maior volume ofensivo durante boa parte da partida de ida e chegou a pressionar bastante no primeiro tempo, mas o Flamengo suportou o momento mais difícil e foi decisivo depois do intervalo.
Bruno Henrique abriu o placar aos 15 minutos da etapa final. Pouco depois, Léo Pereira ampliou de cabeça e transformou uma partida equilibrada em uma vantagem significativa para o jogo no Rio de Janeiro.
O resultado teve peso ainda maior pelo contexto.
O confronto foi disputado a cerca de 2.850 metros de altitude em Quito, fator que historicamente representa dificuldade adicional para equipes brasileiras. O Flamengo conseguiu não apenas vencer, mas sair do Equador sem sofrer gols.
Leonardo Jardim, porém, evitou qualquer discurso de classificação antecipada depois da partida e classificou o resultado como um passo importante, mas não definitivo.
Del Valle já protagonizou goleada sobre o Flamengo
Se o retrospecto no Maracanã favorece fortemente o Flamengo, o adversário também carrega uma lembrança que impede qualquer excesso de confiança.
O próprio Independiente del Valle foi responsável pela última derrota rubro-negra por três ou mais gols de diferença na Libertadores, considerando qualquer mando de campo.
Em setembro de 2020, o time equatoriano aplicou 5 a 0 no Flamengo em Quito, ainda pela fase de grupos da competição.
O contexto era completamente diferente, assim como o elenco e o momento das duas equipes, mas o resultado continua fazendo parte da história recente do confronto.
Agora, porém, o cenário se inverte.
O Del Valle precisa buscar no Maracanã exatamente o tipo de placar que o Flamengo não sofre em casa pela Libertadores desde 2008.
Flamengo pode administrar, mas não pode desligar
A vantagem de dois gols cria diferentes cenários para Leonardo Jardim.
Uma vitória ou empate classifica o Flamengo. Uma derrota por apenas um gol também leva o Rubro-Negro às semifinais.
Se o Del Valle ganhar por dois, haverá disputa de pênaltis.
Somente uma vitória equatoriana por três ou mais gols elimina o Flamengo diretamente.
No papel, portanto, existe uma margem considerável de segurança.
Na prática, jogos eliminatórios da Libertadores costumam castigar equipes que entram apenas com a intenção de proteger resultado.
O Flamengo precisará encontrar o equilíbrio entre controlar o confronto e manter agressividade suficiente para impedir que o Del Valle transforme a partida em um jogo de pressão desde os primeiros minutos.
Maracanã volta a ser parte do confronto
Depois de enfrentar altitude, pressão e um adversário que vinha em ótimo momento no Equador, o Flamengo terá agora o fator casa.
O jogo da volta está marcado para quinta-feira, dia 17, às 21h30 de Brasília, no Maracanã.
A expectativa é de estádio cheio para um confronto que vale vaga entre os quatro melhores times da América.
O vencedor enfrentará Corinthians ou Estudiantes na semifinal. As duas equipes empataram por 1 a 1 no primeiro duelo realizado na Argentina.




