Leonardo Jardim ganha opções justamente no momento em que o Flamengo entra em uma das semanas mais importantes da temporada. A vitória por 2 a 0 sobre o Vitória serviu não apenas para recuperar confiança, mas também para devolver ao treinador jogadores capazes de aumentar a disputa por posições antes do confronto com o Cruzeiro pelas oitavas de final da Libertadores.

Lucas Paquetá voltou a atuar depois de se recuperar de lesão e entrou aos 19 minutos do segundo tempo no lugar de Arrascaeta. A participação foi considerada positiva e melhorou a dinâmica do Flamengo. Gonzalo Plata também voltou a receber minutos e passou a ser novamente uma alternativa para Jardim.

O cenário é bem diferente daquele enfrentado pelo treinador nas semanas anteriores. Antes da partida contra o Vitória, o Flamengo trabalhava com a expectativa de recuperar jogadores importantes para chegar mais próximo da força máxima diante do Cruzeiro.

Paquetá entra diretamente na disputa

A principal questão para Leonardo Jardim está na montagem do setor ofensivo.

Contra o Vitória, Carrascal voltou a ser titular, enquanto Samuel Lino atuou pelo outro lado e Arrascaeta teve liberdade para circular por diferentes regiões do ataque. O colombiano participou da construção das jogadas, mas não conseguiu se destacar individualmente da mesma forma que outros jogadores.

A volta de Paquetá torna a escolha mais complexa.

O camisa 20 entrou no lugar de Arrascaeta, ajudou o Flamengo a recuperar intensidade no segundo tempo e mostrou que pode disputar uma vaga entre os titulares. A utilização também permitiu que Jardim preservasse Arrascaeta pensando justamente na Libertadores.

Gonzalo Plata aparece como outra possibilidade. Recuperado, o equatoriano também participou da reta final diante do Vitória e oferece características diferentes para o treinador.

Com isso, a definição pelo lado direito permanece aberta: Carrascal, Paquetá e Plata oferecem soluções distintas para uma posição que ainda não parece ter dono absoluto.

Estrutura defensiva também se aproxima do ideal

As boas notícias não estão restritas ao ataque.

Léo Ortiz e Léo Pereira voltaram a formar a dupla de zaga contra o Vitória, algo que não acontecia havia algum tempo. Jardim utilizou uma estrutura na qual Ortiz permanecia mais recuado, enquanto Léo Pereira, Pulgar e Jorginho participavam da construção e ajudavam o Flamengo a ocupar o campo adversário.

A recuperação de jogadores permite ao técnico pensar mais em escolhas táticas e menos em soluções provocadas por ausências.

Antes desta sequência, o planejamento do departamento médico já tinha como objetivo disponibilizar praticamente todo o elenco para o mata-mata continental. Luiz Araújo era o jogador que permanecia em estágio mais avançado de recuperação individual.

Flamengo mostrou pistas do time da Libertadores

A escalação utilizada diante do Vitória pode ter dado algumas pistas sobre aquilo que Jardim pretende fazer contra o Cruzeiro.

O Flamengo atuou com linhas mais adiantadas e forte aproximação entre meio-campo e ataque, principalmente durante o primeiro tempo. Os laterais ajudaram a equilibrar os corredores, enquanto Arrascaeta e Samuel Lino trocaram posições em determinados momentos.

A diferença agora é que o treinador possui mais peças para modificar essa estrutura.

Paquetá pode acrescentar força física, chegada à área e capacidade de construção. Plata oferece velocidade e agressividade pelo corredor. Carrascal tem mobilidade e capacidade para atuar por dentro e pelos lados.

Não significa que Jardim necessariamente mudará o time. Significa que, desta vez, ele terá alternativas reais para decidir.

E em um confronto eliminatório de Libertadores, ter opções no banco pode ser tão importante quanto acertar os onze jogadores que começam a partida.