O que durante vários dias alimentou a expectativa da torcida terminou sem contratação. Luiz Henrique não será jogador do Flamengo neste momento. Na noite de sexta-feira (7), o estafe do atacante comunicou oficialmente o encerramento das negociações com o Rubro-Negro depois de uma sequência de acontecimentos que impediu o avanço definitivo da operação com o Zenit, da Rússia.
A manifestação dos representantes do jogador colocou um ponto final em uma negociação que havia avançado consideravelmente. O comunicado informou que as conversas estavam “oficialmente encerradas” e atribuiu o desfecho a uma “série de acontecimentos” que dificultou o andamento do negócio. O estafe acrescentou que as partes não conseguiram chegar a um acordo neste momento.
O desfecho representa mais uma frustração do Flamengo nesta janela de transferências. Luiz Henrique ganhou força depois que a tentativa por Thiago Almada perdeu terreno e o River Plate avançou pelo argentino. As duas posições estavam entre aquelas consideradas prioritárias no planejamento de Leonardo Jardim: um jogador para atuar no meio-campo e outro capaz de oferecer velocidade e capacidade de desequilíbrio pelos lados.
No caso de Luiz Henrique, porém, a negociação chegou a um estágio no qual existia confiança interna em um possível acerto.
Segundo o ge, o atacante havia demonstrado interesse no projeto rubro-negro e o Zenit apresentava abertura para negociar. A apuração chegou a apontar que dentro do Flamengo já se discutiam possibilidades para a apresentação do jogador caso a transferência fosse concretizada.
A história, entretanto, mudou rapidamente.
Valores da negociação geraram divergências
Uma das principais questões do negócio esteve nos valores envolvidos.
Segundo apuração do ge, José Boto havia trabalhado uma operação de €30 milhões fixos mais €5 milhões em bônus, montante que poderia atingir €35 milhões. O veículo informou ainda que o Zenit teria aceitado flexibilizar o prazo de pagamento para chegar aos três anos desejados pelo Flamengo, mas não abriria mão de uma quantia próxima dos €35 milhões.
Essa versão, contudo, foi contestada oficialmente pelo próprio Flamengo.
Depois da publicação da reportagem, o clube procurou o ge e negou ter feito uma proposta nesses valores. O Flamengo reconheceu a existência de conversas com o Zenit, mas afirmou que as cifras discutidas não ultrapassaram €25 milhões. O ge, por sua vez, manteve sua apuração original.
Esse ponto é importante porque existem, portanto, duas versões sobre o tamanho financeiro da operação.
De um lado, a reportagem afirma que Boto havia sinalizado valores que poderiam chegar a €35 milhões. Do outro, o Flamengo sustenta que jamais ultrapassou o limite de €25 milhões durante as conversas.
O que não está em discussão é o resultado final: não houve acordo.
Bap estabeleceu limite para o investimento
A apuração do ge também apontou divergência entre aquilo que vinha sendo discutido pelo departamento de futebol e o limite financeiro definido pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Segundo o veículo, Bap entendeu que o Flamengo não deveria ultrapassar os valores que haviam sido considerados anteriormente na tentativa de contratar Thiago Almada. O presidente teria estabelecido um teto próximo dos €25 milhões para o investimento.
A ESPN também relatou que Bap assumiu papel importante nas tratativas e decidiu não realizar uma operação que considerasse excessivamente cara. A emissora apontou ainda o salário projetado para Luiz Henrique como outro componente relevante da avaliação financeira.
As versões divergem em alguns detalhes sobre valores e condições de pagamento, mas convergem no ponto central: o custo total da operação tornou-se um obstáculo decisivo para o Flamengo.
Luiz Henrique havia dado sinal positivo ao Flamengo
Do lado do jogador, a negociação encontrou menos resistência.
Segundo o ge, Luiz Henrique deu rapidamente o aval para que as conversas avançassem quando o Flamengo intensificou os contatos. O atacante já era um nome conhecido internamente e havia sido alvo do Rubro-Negro antes mesmo de sua passagem pelo Botafogo.
Naquela ocasião anterior, quando ainda estava no Betis, da Espanha, dirigentes do Flamengo chegaram a apresentar um projeto ao jogador, mas a operação não avançou. Luiz Henrique acabou posteriormente retornando ao Brasil para defender o Botafogo e depois foi negociado com o Zenit.
O interesse rubro-negro permaneceu.
Quando a situação de Thiago Almada ficou mais complicada, Luiz Henrique passou a ganhar ainda mais espaço no planejamento da janela. Suas características também se encaixavam em uma das necessidades apontadas pela comissão técnica.
O fato de o atacante estar em atividade no Zenit também era visto como vantagem. Diferentemente de um jogador que necessitasse de período longo de preparação, Luiz Henrique vinha participando normalmente dos compromissos da equipe russa.
Flamengo termina prazo sem o reforço esperado
O momento do encerramento da negociação aumenta o peso do desfecho.
O Flamengo trabalhava para ter novas peças disponíveis antes das oitavas de final da Libertadores, mas não conseguiu concluir as operações que vinham sendo tratadas como prioritárias. Primeiro, Thiago Almada se aproximou do River Plate. Agora, Luiz Henrique também saiu da mesa depois do comunicado de seu estafe.
Isso não significa necessariamente que o Flamengo tenha encerrado sua participação no mercado.
A janela continua aberta, e o departamento de futebol pode buscar outros nomes. Entretanto, o clube perdeu a oportunidade de incluir uma contratação desse processo específico dentro do planejamento inicial para o começo do mata-mata continental.
Para Leonardo Jardim, a consequência imediata é trabalhar com o elenco disponível.
O treinador havia demonstrado expectativa pela chegada de jogadores capazes de aumentar as alternativas ofensivas e oferecer características diferentes ao time. Luiz Henrique seria justamente uma dessas opções.
Agora, a diretoria precisa decidir se partirá para outro nome, se retomará algum alvo anterior ou se entenderá que o atual elenco oferece soluções suficientes para a sequência da temporada.
Negociação também expôs ruídos internos
Além de o Flamengo não contratar Luiz Henrique, os bastidores transformaram o episódio em algo maior do que uma simples negociação fracassada.
As informações publicadas durante sexta-feira mostraram diferentes entendimentos sobre valores, limites orçamentários e até sobre quanto realmente chegou a ser discutido com o Zenit.
O próprio fato de o Flamengo ter procurado o ge para negar que as cifras tenham ultrapassado €25 milhões demonstra a preocupação do clube em apresentar sua versão dos acontecimentos. A reportagem, ao mesmo tempo, decidiu manter a apuração de que valores superiores haviam sido sinalizados durante as tratativas.
Esse cenário aumenta a necessidade de clareza na condução das próximas negociações.
Flamengo e José Boto continuarão no mercado, e qualquer novo alvo relevante provavelmente envolverá novamente valores elevados. Definir previamente até onde o clube pretende chegar financeiramente passa a ser fundamental para evitar que semanas de trabalho terminem novamente sem acordo.
Estafe fecha a porta “neste momento”
Existe ainda uma expressão importante no comunicado dos representantes de Luiz Henrique: “neste momento”.
Isso não permite afirmar que o Flamengo jamais voltará a tentar contratar o atacante. No futebol, cenários podem mudar rapidamente, principalmente em futuras janelas.
Mas a situação atual é clara.
As conversas foram oficialmente encerradas pelo estafe, não existe negociação ativa para a chegada de Luiz Henrique e o jogador segue vinculado ao Zenit.
Para o Flamengo, resta reorganizar o mercado.
Depois de semanas de expectativa envolvendo dois jogadores de grande nível, a diretoria chega ao momento decisivo da temporada sem Thiago Almada e sem Luiz Henrique.
E justamente por isso o próximo movimento do clube passa a ser ainda mais observado.




