O miniestádio no Ninho do Urubu ganhou nesta segunda-feira um novo impulso financeiro e, ao mesmo tempo, virou protagonista de uma ação de marketing do Flamengo. Depois de passar horas com suas redes sociais marcadas pela mensagem “Fechado para Obras”, o clube revelou uma parceria com a Brahma para ajudar a financiar a conclusão da nova estrutura do CT George Helal.

A campanha recebeu o nome de “Quem é Urubu, fortalece o Ninho”. Segundo o próprio Flamengo, a cada pedido de Brahma realizado pelo Zé Delivery, 10% do valor serão destinados às obras do miniestádio. A ação transforma uma ativação comercial do patrocinador em participação direta no desenvolvimento de patrimônio do clube.

A novidade, porém, não significa que o estádio esteja começando a ser construído agora.

O projeto atravessa duas gestões, teve o cronograma alterado, cresceu em capacidade e já possui inclusive o gramado pronto. A parceria anunciada nesta segunda-feira entra em uma etapa na qual o Flamengo busca recursos e aceleração para finalmente entregar uma estrutura que começou a ser trabalhada ainda em 2024.

De 2 mil para 4,5 mil torcedores

O projeto atual é consideravelmente maior que a ideia original.

Na gestão anterior, a previsão era de aproximadamente 2 mil lugares. O planejamento foi revisto e o miniestádio passou a ser projetado para receber cerca de 4.500 espectadores.

Segundo O Dia e o ge, o estádio está sendo construído no campo 10, localizado logo após a entrada do Ninho do Urubu. O gramado já está finalizado e vem sendo utilizado em atividades das categorias de base, enquanto as obras avançam nas estruturas localizadas ao redor do campo.

A previsão atual é que o complexo esteja concluído no segundo semestre de 2027, com estimativa anteriormente indicada entre julho e agosto.

E não será apenas um campo cercado por arquibancadas.

O projeto prevê iluminação para a realização de partidas noturnas, quatro vestiários destinados aos atletas, dois para arbitragem, sala de controle antidoping, sala de reuniões, recepção e área administrativa.

Também estão projetados camarote, cobertura da área técnica e uma torre destinada a funções como placar e transmissão das partidas.

Essa estrutura permite que o espaço funcione efetivamente como estádio, inclusive com condições para receber partidas oficiais e operações de jogo mais complexas.

Flamengo já começou a levar jogos para dentro do CT

O movimento de transformar o Ninho também em local de competição já começou antes mesmo da conclusão do miniestádio.

Em abril, o Flamengo realizou pela primeira vez partidas oficiais de suas categorias de base dentro do CT George Helal. Sub-15 e sub-17 enfrentaram o Madureira pela Taça Guanabara no campo 6.

O próprio clube destacou na ocasião os ganhos logísticos de realizar partidas no mesmo espaço utilizado diariamente pelos jovens: acesso imediato a academia, departamento médico, áreas de nutrição, refeitório e toda a estrutura operacional do centro de treinamento.

O miniestádio representa a profissionalização desse processo.

Com arquibancadas, iluminação e estrutura de jogo, o Flamengo poderá criar no Ninho uma casa permanente para partidas da base e do futebol feminino sem depender constantemente de outros estádios.

A previsão é de utilização principalmente pelo sub-20 e pelas equipes femininas.

Para os jovens, há ainda outro componente. Jogar no próprio CT aproxima treinamento e competição e permite que o clube exponha seus atletas em uma estrutura própria, com melhores condições para receber dirigentes, observadores e representantes de outras equipes.

Para o futebol feminino, significa possuir um palco rubro-negro com estrutura planejada para receber suas partidas.

Uma obra que já buscava mais de R$ 8 milhões

O financiamento do projeto é outro ponto importante da história.

Em janeiro, o Flamengo apresentou à Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Estado do Rio de Janeiro um projeto para captar R$ 8.365.137,82 por meio da lei estadual de incentivo ao esporte.

Segundo o ge, a captação ainda encontrava dificuldades meses depois. A diretoria já trabalhava com a possibilidade de colocar recursos próprios no orçamento de 2027 caso o dinheiro incentivado não fosse liberado a tempo.

É nesse cenário que a parceria com a Brahma ganha uma dimensão maior do que uma campanha publicitária.

O Flamengo cria outra fonte de contribuição para a obra, enquanto entrega à patrocinadora uma ação que não termina simplesmente em exposição de logotipo.

O consumo passa a estar ligado diretamente a algo visível e permanente.

A Brahma é uma marca da Ambev, mas é importante fazer essa distinção: a Ambev não está simplesmente construindo o estádio para o Flamengo. A parceria anunciada cria um mecanismo pelo qual parte das vendas realizadas através do Zé Delivery será destinada ao projeto.

“Fechado para Obras” criou expectativa antes do anúncio

O Flamengo preparou o lançamento explorando justamente o tamanho de suas próprias redes sociais.

Na virada de domingo para segunda-feira, diferentes plataformas do clube passaram a exibir a mensagem “Fechado para Obras”, sem explicar imediatamente do que se tratava.

A comunicação ficou interrompida por aproximadamente 12 horas até que o clube revelasse o projeto envolvendo Brahma e o miniestádio.

A estratégia conseguiu transformar uma obra que já era conhecida em uma novidade novamente relevante.

Em vez de simplesmente anunciar mais uma parceria comercial, o Flamengo construiu mistério, mobilizou os torcedores e depois conectou a resposta a uma mudança física no patrimônio do clube.

É também uma demonstração de como a dimensão digital do Flamengo pode ser transformada em ativo comercial. Uma base de milhões de torcedores não serve apenas para gerar engajamento; pode ser usada para atrair parceiros e criar mecanismos de financiamento para projetos estruturais.

O Ninho continua em expansão

O miniestádio não está isolado dentro do processo de crescimento do CT.

O Flamengo também vem ampliando a quantidade de campos disponíveis e planejou a construção de duas quadras oficiais de futsal dentro do Ninho, integrando uma modalidade tradicionalmente ligada à formação dos jogadores ao mesmo complexo.

Em junho, o ge informou que o CT contava com dez campos em funcionamento e outros espaços em processo de construção. O campo 12, por exemplo, tinha entrega prevista para julho.

O movimento mostra uma mudança de escala.

O Ninho deixou há muito tempo de ser apenas o lugar onde o time profissional treina. O planejamento passa pela integração entre profissional, formação, futebol feminino e outras etapas do desenvolvimento de jogadores.

O miniestádio é uma peça desse processo.