O Flamengo encerrou a segunda janela de transferências entre os clubes brasileiros que mais arrecadaram com negociações de jogadores.

Levantamento do Gato Mestre, do ge, aponta R$ 95,584 milhões em quatro operações com compensação financeira, colocando o Rubro-Negro na terceira posição entre os 20 clubes da Série A. Apenas Palmeiras e Grêmio arrecadaram mais no período.

O Palmeiras liderou com R$ 297,3 milhões, impulsionado especialmente pela venda de Allan ao Manchester City. O Grêmio aparece em segundo, com R$ 183,9 milhões. Flamengo, com os R$ 95,6 milhões, completa o pódio.

O número é relevante, mas conta apenas parte da história financeira da janela rubro-negra.

Isso porque o Flamengo terminou o mercado com uma venda importante frustrada, duas novas contratações e ainda distante da meta estabelecida para negociações de atletas em 2026.

Base responde pela maior parte da arrecadação

A principal negociação rubro-negra do período foi a venda de Ryan Roberto ao Shakhtar Donetsk.

O clube ucraniano acertou 9,5 milhões de euros fixos pelo atacante, aproximadamente R$ 56,3 milhões na cotação utilizada quando a transferência foi fechada. Há ainda bônus de 500 mil euros vinculados a metas.

Outro negócio importante envolveu Wallace Yan.

O atacante de 21 anos foi negociado com o Red Bull Bragantino por 6 milhões de euros, cerca de R$ 36 milhões, por 70% dos direitos econômicos. O Flamengo preservou participação no jogador para uma eventual valorização futura.

Também houve negócios menores envolvendo jogadores formados ou desenvolvidos na base.

Da Mata, por exemplo, foi negociado com o Konyaspor, da Turquia, em uma operação de aproximadamente US$ 300 mil — perto de R$ 1,5 milhão.

O cenário reforça um ponto importante: apesar do enorme poder de receita comercial e esportiva do Flamengo, a base continua exercendo papel relevante na geração de recursos através do mercado.

Flamengo vendeu sem desmontar o time titular

Existe outra diferença importante em relação a algumas janelas anteriores.

O Flamengo arrecadou quase R$ 100 milhões no período sem precisar negociar uma peça considerada indispensável do time principal.

Ryan Roberto e Wallace Yan eram jovens com mercado, mas não tinham condição de titulares absolutos. Da Mata estava ligado principalmente às categorias de base.

Cebolinha também deixou o clube, mas sua saída para o Santos ocorreu após rescisão contratual, portanto não gerou uma grande receita de transferência para o Flamengo.

Matías Viña foi emprestado ao Cruzeiro até dezembro, com salários assumidos pelo clube mineiro e opção de compra, mas também não representa uma venda contabilizada nesta janela.

A estratégia permitiu gerar recursos e, ao mesmo tempo, preservar a espinha dorsal utilizada por Leonardo Jardim nas disputas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

Plata mudaria completamente a conta

O grande ponto de virada da janela, entretanto, foi Gonzalo Plata.

O Flamengo havia acertado a transferência do equatoriano para o Dínamo de Moscou.

A negociação chegou a ser encaminhada por cerca de 12 milhões de euros, com aproximadamente 10 milhões de euros — perto de R$ 60 milhões — previstos para pagamento imediato.

Plata viajou para a Rússia, mas o Dínamo desistiu da contratação depois dos exames médicos, alegando um problema físico. O departamento médico rubro-negro contestou a avaliação, e o jogador acabou retornando ao Rio de Janeiro.

Se a operação tivesse sido concluída, o Flamengo teria ultrapassado com facilidade os R$ 150 milhões arrecadados apenas nesse conjunto de movimentações da janela.

Mais importante: receberia uma quantia elevada à vista justamente em um momento de maior atenção ao fluxo de caixa.

Clube também investiu quase R$ 66 milhões

O balanço da janela não envolve apenas saídas.

Na reta final do mercado, o Flamengo contratou Anthony Valencia e Joaquín Freitas.

Segundo o levantamento do Gato Mestre, os dois negócios representaram cerca de R$ 65,98 milhões em investimentos divulgados, colocando o Flamengo como o terceiro clube que mais gastou na segunda janela, atrás de Cruzeiro e Vasco.

Portanto, considerando apenas os valores públicos apresentados no levantamento, o Flamengo teve aproximadamente:

R$ 95,6 milhões em vendas R$ 66 milhões em compras

A diferença bruta fica próxima de R$ 30 milhões positiva.

Mas essa conta não deve ser confundida com dinheiro entrando e saindo imediatamente do caixa.

Contratações e vendas são frequentemente parceladas, possuem bônus, percentuais econômicos, comissões e datas diferentes de pagamento.

No caso de Valencia e Freitas, por exemplo, os pagamentos foram estruturados ao longo dos próximos anos.

Meta anual ainda não foi cumprida

É justamente aqui que o bom desempenho no ranking precisa ser colocado em perspectiva.

O planejamento do Flamengo para 2026 estabeleceu uma expectativa de aproximadamente R$ 256 milhões em receitas com negociações de jogadores.

De acordo com levantamento publicado pelo UOL após o fracasso da venda de Plata, considerando também outras receitas relacionadas a transferências ao longo da temporada, a conta chegava a aproximadamente R$ 176 milhões.

Ainda faltariam cerca de R$ 80 milhões para atingir a projeção anual.

Essa diferença ajuda a entender por que a venda frustrada de Plata incomodou tanto internamente.

Os aproximadamente R$ 71 milhões previstos na operação deixariam o Flamengo muito próximo da meta estabelecida para todo o ano.

Investimento recorde aumenta necessidade de equilíbrio

O Flamengo não enfrenta hoje uma situação de emergência financeira.

O próprio relatório de gestão do clube apontou que, no primeiro trimestre, a dívida líquida relacionada a atletas havia chegado a R$ 394 milhões, mas representava 11,2% da receita acumulada dos últimos 12 meses — percentual considerado saudável pela administração diante do crescimento das receitas.

Ao mesmo tempo, 2026 foi marcado por investimentos muito elevados.

Somente no primeiro trimestre, o Flamengo registrou R$ 469 milhões em adições de direitos de atletas, o maior investimento em elenco feito pelo clube em um único trimestre. Lucas Paquetá respondeu sozinho por uma operação cujo custo total ultrapassou R$ 300 milhões.

Isso explica por que vendas continuam importantes mesmo para um clube que projeta faturamento anual bilionário.