A classificação do Estudiantes para a semifinal da Libertadores abriu uma discussão que vai muito além do campo. O clube argentino quer mandar a próxima partida no Estádio Jorge Luis Hirschi, o UNO, em La Plata, mas existe um obstáculo específico no regulamento da Conmebol: o espaço reservado à torcida visitante.

O problema não está na capacidade total do estádio. O UNO comporta aproximadamente 32,5 mil pessoas e supera o mínimo de 30 mil mencionado para esta fase da competição. A dificuldade está em outro número.

Para as semifinais da Libertadores, a Conmebol estabelece uma carga mínima de 4 mil ingressos para o clube visitante. O setor atualmente utilizado pelo Estudiantes para receber torcedores adversários, porém, comporta aproximadamente 2.500 pessoas.

Isso deixa o clube argentino diante de duas alternativas: encontrar uma solução estrutural que permita ampliar o setor visitante ou negociar diretamente com o adversário uma redução da carga.

E é exatamente aí que o Flamengo pode entrar na história.

Regulamento permite acordo entre os clubes

O Regulamento de Segurança da Conmebol para 2026 é claro ao determinar 4 mil ingressos para visitantes nas semifinais da Libertadores.

Mas o próprio documento abre uma exceção importante.

Caso os clubes pretendam trabalhar com uma quantidade inferior à prevista, mandante e visitante podem formalizar um acordo assinado pelos presidentes ou representantes legais das duas instituições. O documento deve ser encaminhado à Conmebol antes da reunião de segurança que antecede a partida.

Ou seja: o Estudiantes não pode simplesmente decidir entregar apenas 2.500 ingressos ao adversário.

Para jogar no UNO mantendo a configuração atual do estádio, precisará da concordância do outro semifinalista.

Juan Sebastián Verón, presidente do Estudiantes, reconheceu publicamente essa necessidade nesta quinta-feira.

Após a classificação argentina, o dirigente afirmou que o clube fará todo o possível para continuar jogando em sua casa e citou diretamente os dois possíveis adversários.

Segundo Verón, será necessário conversar com a Conmebol e com Flamengo ou Independiente del Valle, dependendo de quem avançar no confronto das quartas de final.

A declaração mostra que a discussão já começou nos bastidores antes mesmo da definição do adversário.

A solução pode passar por 2.500 para cada lado

Existe um caminho capaz de resolver o problema sem obrigar o Estudiantes a deixar o UNO.

Segundo o jornal argentino El Día, de La Plata, o setor visitante do estádio tem capacidade aproximada de 2.500 pessoas. Se o futuro adversário aceitar receber essa carga na Argentina, a negociação poderá estabelecer reciprocidade para a partida seguinte.

Na prática, se o Flamengo avançar e aceitar cerca de 2.500 ingressos para sua torcida em La Plata, o Estudiantes poderia receber a mesma quantidade de entradas no Maracanã.

A publicação argentina aponta justamente essa possibilidade: o rival aceitaria uma carga menor no UNO e, como contrapartida, disponibilizaria o mesmo número de ingressos ao Estudiantes no jogo seguinte.

É importante separar as coisas: não existe acordo fechado neste momento.

Os 2.500 ingressos aparecem como uma solução possível porque correspondem à capacidade atual do setor visitante do UNO. Qualquer definição dependerá da classificação do adversário e de uma negociação formal entre os clubes.

Flamengo estaria em posição diferente

Caso avance, o Flamengo chegaria à negociação em uma situação bastante diferente da do Estudiantes.

O Maracanã possui estrutura suficiente para cumprir a exigência de 4 mil visitantes sem necessidade de mudança de estádio. Portanto, o Rubro-Negro não precisaria reduzir sua carga por limitação estrutural.

Quem precisa encontrar uma solução é o clube argentino.

Isso significa que a eventual redução não seria uma obrigação para o Flamengo, mas uma decisão negociada.

O Rubro-Negro poderia exigir os 4 mil ingressos estabelecidos pelo regulamento ou aceitar uma carga menor mediante contrapartida no Maracanã.

Essa diferença aumenta o peso da conversa entre as diretorias.

Para o Estudiantes, chegar a um acordo significa preservar o mando de campo em sua própria casa.

Para o Flamengo, significaria avaliar se abrir mão de aproximadamente 1.500 lugares para sua torcida em La Plata seria compensado pela redução equivalente da torcida argentina no Rio de Janeiro.

Mudar de estádio não é a primeira opção

O Estudiantes também poderia buscar outro palco para a semifinal, mas essa possibilidade não parece ser a prioridade da direção.

Verón deixou claro que o desejo é permanecer no UNO.

Questionado sobre uma eventual utilização do Estádio Ciudad de La Plata, o dirigente afirmou que o local não estaria disponível atualmente, embora tenha admitido que a situação poderia ser consultada. O estádio passa por um processo envolvendo obras e adequações.

Isso aumenta a importância da negociação.

Para o Estudiantes, jogar no UNO significa manter o ambiente de sua casa, a proximidade da torcida e toda a rotina construída durante a competição.

A alternativa de mudar o jogo só ganha força se não houver uma solução para a carga de visitantes.

E, caso o Flamengo confirme a classificação, essa solução poderá depender diretamente de uma decisão da diretoria rubro-negra.