Os 13 minutos e 54 segundos em que o Flamengo esteve atrás no placar na Libertadores de 2026 chamam atenção por si só. Mas o número fica muito mais significativo quando colocado ao lado de toda a campanha rubro-negra.

Até a vitória por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, em Quito, o Flamengo acumulava oficialmente 19 gols marcados e apenas quatro sofridos na competição. Em nove partidas contabilizadas pela Conmebol, seguia invicto e havia terminado cinco delas sem ser vazado.

Mais do que sofrer poucos gols, existe um comportamento que se repete: quase sempre é o Flamengo quem coloca o adversário na obrigação de buscar o resultado.

Considerando os oito jogos efetivamente concluídos dentro de campo — o duelo com o Independiente Medellín foi interrompido aos cinco minutos e posteriormente teve vitória por 3 a 0 atribuída pela Conmebol —, o Rubro-Negro abriu o placar em sete.

A única exceção aconteceu diante do Cruzeiro, no Mineirão.

Foi justamente ali que nasceram os 13 minutos e 54 segundos que fazem do Flamengo o time que passou proporcionalmente menos tempo em desvantagem em toda a Libertadores de 2026: somente 1,7% dos 803 minutos e 11 segundos contabilizados pela Conmebol.

Cruzeiro criou a única situação diferente

Nas oitavas de final, Keny Arroyo marcou para o Cruzeiro aos oito minutos do segundo tempo no Mineirão.

Pela primeira — e até agora única — vez em toda a competição, o Flamengo precisou jogar estando atrás no marcador.

A resposta veio ainda na mesma etapa.

Lucas Paquetá empatou aos 21 minutos e impediu que o Cruzeiro tivesse tempo para transformar a vantagem em um cenário de controle da eliminatória. O confronto terminou 1 a 1 e foi decidido uma semana depois no Maracanã, quando o Flamengo venceu por 2 a 1.

É um detalhe importante porque mata-matas costumam mudar completamente quando uma equipe precisa correr atrás do placar.

Linhas são adiantadas, riscos aumentam e espaços aparecem.

O Flamengo quase nunca teve que entrar nesse tipo de jogo.

Sete partidas colocando o rival para correr atrás

A sequência ajuda a entender o número.

Contra o Cusco, na estreia, Bruno Henrique colocou o Flamengo na frente antes de Arrascaeta fechar o 2 a 0.

Diante do Independiente Medellín, no Maracanã, Paquetá marcou primeiro na vitória por 4 a 1.

Contra o Estudiantes, em La Plata, Luiz Araújo abriu o placar no empate por 1 a 1.

No reencontro com os argentinos, Pedro marcou o único gol da vitória no Maracanã.

Na última rodada da fase de grupos, o Flamengo fez 3 a 0 no Cusco.

Na volta diante do Cruzeiro, Arrascaeta abriu o marcador antes da vitória por 2 a 1.

E, em Quito, Bruno Henrique colocou novamente o Flamengo em vantagem antes de Léo Pereira fechar os 2 a 0 sobre o Independiente del Valle.

Há, portanto, uma constante nessa campanha: quando o placar se movimenta primeiro, quase sempre se movimenta para o lado rubro-negro.

Os números não significam domínio absoluto

Existe, porém, uma diferença importante entre controlar o placar e dominar todas as partidas.

O melhor exemplo aconteceu justamente no Equador.

O Independiente del Valle terminou o jogo de ida das quartas com 18 finalizações, enquanto o Flamengo precisou de apenas duas conclusões no alvo para construir a vitória por 2 a 0.

Foi uma partida em que o adversário teve volume, pressionou e chegou a acertar a trave. Ainda assim, não conseguiu colocar o Flamengo atrás em nenhum momento.

Esse contexto torna a estatística mais interessante.

Os 13m54s não mostram necessariamente uma equipe que controla todas as partidas através da posse ou do número de finalizações. Mostram um time que, até aqui, encontrou maneiras diferentes de evitar que o adversário controlasse o resultado.

Em alguns jogos, isso aconteceu com superioridade clara. Em outros, com eficiência.

Melhor campanha da fase de grupos abriu o caminho

A regularidade começou ainda na primeira fase.

O Flamengo terminou o Grupo A com 16 dos 18 pontos possíveis, cinco vitórias e um empate, além de 14 gols marcados e apenas dois sofridos. Foi a melhor campanha entre os 32 participantes da fase de grupos.

Depois vieram dois jogos mais apertados contra o Cruzeiro.

O empate por 1 a 1 no Mineirão e a vitória por 2 a 1 no Maracanã elevaram o total para 17 gols feitos e quatro sofridos.

Em Quito, Bruno Henrique e Léo Pereira acrescentaram mais dois à conta, enquanto Rossi saiu novamente sem sofrer gols.

O saldo, antes da partida de volta das quartas, chegou a 19 a 4.

E há outro número relevante quando o confronto retorna ao Maracanã: o Flamengo venceu 12 de seus últimos 13 jogos de mata-mata da Libertadores como mandante. A única derrota neste recorte foi diante do Peñarol, por 1 a 0, em 2024.